Nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra principados e potestades…
Talvez seja paranoia minha ou Deus esta me levando a ter certo temor e tremor (não que antes não tivesse) diante dos novos desafios, tenho quarenta anos e já vivi muita coisa boa e ruim, talvez por pertencer a uma geração onde quase todos, sem exceção, saíram da igreja na sua adolescência e retornaram após uns cinco anos, nossas conversas eram sempre como o mundo tem algo para nos oferecer, mas a certeza que nossas vidas pertença a Deus é a maior prova que precisávamos voltar para Ele.
Lembro-me das nossas conversas e mesmo informalmente nossas confissões a cerca de nossas fraquezas. Foram bons anos e só quem viveu isso saberia dizer o que estou falando, o temor a Deus e nossa vivência com escolas bíblicas desde nossa infância foi à linha divisória que nos fez continuar na trajetória pelo conhecimento divino.
Havia uma ambição em nós de crescer ministerialmente, para isso buscávamos a Deus constantemente em oração e palavra, pouquíssimos jovens daquela época se empenhavam em busca ao sol em relação a profissões, fato é verdade pelo caríssimo investimento em estudos e as poucas oportunidades. É verdade que temos que ter isso em mente e buscar nos aperfeiçoar para garantir um futuro melhor, mas não podemos deixar de entender que nosso futuro esta em Deus e que somos estrangeiros em terra alheia. Assim como o povo hebreu buscava por sua terra prometida, nós precisamos saber que nossa morada não é aqui, a uma vida eterna que espera por nós.
Bem, hoje o que podemos ver é uma geração totalmente avessa a buscar a Deus, e salvo as exceções, me vem a mente o texto de Mateus 19:23 onde Jesus diz que dificilmente um rico entrará no reino de Deus, assim faz um comparativo com um camelo e uma agulha. É claro que há pessoas de posses com muito amor e fé em Jesus, mas quando a pessoa se apega as riquezas e os prazeres dessa vida, seu foco deixa de ser os céus e fica limitado a esta vida, não é atoa que o Mestre nos fala que onde estiver nosso tesouro ali estará nosso coração (Mt 6.21).
Nós não conhecemos nossos inimigos e consideramos que ele seja impotente para nos pegar. Já vi e experimentei de muitas quedas por achar que sou mais forte que meu adversário. A verdade é que com o avanço dos anos a profecia se cumpre e vivemos tão presos a conceitos e pre-conceitos que nossas supostas verdades falam mais alto. Ou seja, o que antigamente era uma preocupação simples tem ganhado uma dimensão maior diante das tecnologias e a falta de amor mútuo.
Nossos relacionamentos são ralos e nossas vidas vazias de Deus. Antes, ainda que pouco, se via nichos em busca de orar e jejuar e havia os opositores que diziam que éramos meninos e que estávamos querendo aparecer. Hoje os mesmos se deparam diante de filhos rebeldes, que a cada nova mensagem corre ao altar para chorar e na mesma noite deleta tudo que viveu para expressar quem de fato são nas redes sociais.
Quero fazer uma simples comparação entre o Brasil secular e o Brasil evangélico.
Nosso país viveu anos de ditadura e muitas pessoas foram perseguidas e mortas pelo Regime Militar, tudo era proibido e passava pelo crivo dos coronéis. Muitos foram expulsos de sua pátria impedidos de viver livremente, quando retornaram em nome da democracia começaram a liberar tudo. A Igreja por anos viveu nos usos e costumes (pode e não pode) e assim tudo era proibido, vários líderes proibiram dizendo ser pecado ir ao cinema, teatro, praia e etc… Então começou a democratizar a instituição e com isso liberou muita coisa… Faltou equilíbrio e discernimento.
É claro que o inimigo de nossa alma continua o mesmo, mas suas artimanhas são diferentes, afinal antes os jovens e adolescentes saiam da igreja para descobrir as coisas do mundo, hoje vivemos um mundo novo, não precisamos sair da igreja, somos uma geração de crentes nominais, e a igreja aceita a tudo e todos, não é atoa que vemos igrejas para todos os públicos.
Aquelas regrinhas de pode e não pode é coisa do passado. Podemos ter novas experiências sem preocupar-se se alguém vai saber ou não, nos achamos tão importantes que parece que somente o diabo treme e teme diante de Deus. Nós humanos vivemos a vida louca sem se importar com o amanhã.
Agora pode fazer sentido o título deste artigo. O inimigo agora é outro. O inimigo (meu) sou eu.


