Qual a sua identidade?

Nosso maior desafio é lidar com emoções~. Quebrar paradigmas internos de auto suficiência e orgulho tem sido encarado por muitos como algo tão genérico que para posar de bom é preciso estar acima de…

Tenho nos últimos anos concentrado em “tentar” entender o ser humano e suas ramificações, na maioria das vezes somos tão ralos em nossas conversas que o conteúdo das mesmas se restringe a coisas dessa vida. Não somos capazes de estender a mão ou buscar novos horizontes, acabamos falando o que todo mundo fala, afinal estar na moda é questão de mostrar o quanto somos descolados.

Nessa pirâmide de encontros e desencontros tenho a sensação que para sobreviver à selva de pedra que nós mesmos criamos é preciso se politizar, ou seja, ser verdadeiro e expor sentimentos e fraquezas são para os fracos, em alguns momentos é preciso se esquivar de temas polêmicos ou simplesmente calar-se e concordar com os “fortes” a fim de continuar a ter algum merecimento posterior.

Digo isso porque vivemos em uma sociedade que os pares se completam e não há espaço para opositores de idéias, pensamentos e filosofias que possa mexer com o status quo da maioria. Confesso que em muitos casos tento me calar e não expor o que penso para não me estressar, mas não consigo ao ver que a maioria pensa e age igual, eu prefiro pagar o preço e ter uma identidade própria (coisa cada vez mais rara) do que ser taxado como a maioria, quero ajudar as pessoas a pensar nas possibilidades, em outros caminhos e alternativas, que quebrem este paradigma e façam a diferença em meio a um turbilhão de sem noção que todos os dias despejam a mesmice em nossas cabeças com as mesmas informações, as velhas notícias e as teorias que não levam a lugar nenhum.

Essa análise crítica que tenho do homem é porque acredito que todos nós sem exceção podemos contribuir para o crescimento e amadurecimento de nossos relacionamentos, somos carentes de amizades duradouras, somos levados a um eufemismo comportamental onde queremos transparecer maiores que realmente somos.

Sendo assim, caímos na desgraça de não ter conteúdo cultural, histórico e teológico que possa embasar nossa capacidade de interagir uns com os outros, já percebeu que a maioria das pessoas não tem assunto e que suas conversas são em torno do obvio e imediato como fuga a nossa incapacidade de relacionar? É por isso que a uma hipocrisia generalizada em torno de temas comuns, onde a minoria tenta impor alguns preceitos, mas a maioria percebe que isso não levará a lugar algum. Falta seriedade em nossos relacionamentos.

O discurso entre a plataforma e sua ação direta na vida das pessoas se confunde ou distanciam na medida em que ele esta disfarçado de boa ação. Algumas lideranças teimam e insistem em falar em ações que convergem à boa pratica, mas elas mesmas acabam se metendo em confusão ao ver que quando não são ouvidas começam a descartar seus subordinados como se fossem papéis que usam e jogam fora.

Nossos discursos são tendenciosos e entediantes, porque se aproximam do ridículo, a primeira vista é cheio de mansidão e graça, mas esconde quem de fato somos. Conheço meia dúzia (para ser amoroso) que converge pessoas a seu redor com conteúdo filosófico e acadêmico, mesmo não querendo ser rotulado assim, e por trás dessa capa esconde suas verdadeiras identidades nazistas.

Enquanto você soma com estas pessoas, elas deixam transparecer uma caricatura de bons moços, com argumentação ideológica que chega a um êxtase, mas na primeira atitude que você demonstre discordar as garras felinas da arrogância coerciva vem à tona para sucumbir toda a imagem de bom moço, por isso aquela idéia de que a primeira impressão é a que fica, nem sempre pode ser a correta, pois ficamos escolhendo palavras para transparecer quem não somos.

Falo sem medo de errar que a maioria segue em uma direção, fazendo a politicagem dos insanos, onde falar a mesma língua para muitos é concordar com a que esta na moda. De certa forma queremos que todos concordem conosco e nenhuma oposição se levante para manifestar algum tipo de sentimento contrário. Mas a oposição é sadia em um estado de direito, afinal ela irá nos moldar e podar em ações que aflige a massa. Será uma aliada em busca de uma direção certa, mesmo que na nossa loucura pelo correto, estejamos caminhando para a perdição.

Quando vejo as pessoas perdidas, confusas e sem direção chego à conclusão que elas não sabem sua identidade. Sabe aquela coisa de olhar no espelho e dizer eu sou assim e quero chegar a tal lugar? Nós em sua maioria não fazemos isso. Fazemos conchavos e acordos com o intuito de levar alguma vantagem no presente ou no futuro próximo.

Até aqueles com boa intenção caem na armadilha e na tentação de dançar conforme a musica. Há pessoas que tem uma retórica excelente, sabe se comunicar e expressar como poucos, mas tudo isso acaba se tornando obsoleto quando no trato com as pessoas é de forma rude. A partir do momento que você não agrada mais ela ti exclui do roll de amigos. Você se torna passado e em alguns casos um mero desconhecido que em algum momento passou em sua vida. É assim que os relacionamentos tem se perpetuado para muitos. Nosso discurso é banhado de palavras doces e amáveis, mas nossa incoerência e ingerência afastam os de perto.

Sabemos até apontar o caminho, mas não sabemos conduzir o processo. Queremos ação das pessoas, mas continuamos parados como em um ponto de ônibus vendo as pessoas passarem por lá, pegarem seu destino. Somos uma geração carente de amizades solidas e coesas. Vivemos em um país de Alice esperando despertar de um sono profundo.

O $how da fé tem que acabar, a loucura se materializa nos mega templos espalhados pelas metrópoles, é preciso ser pastor de gente e não de números, ser gestor de pessoas que se importa uma com as outras e não precisa nem de falar a língua dos iguais, mas na oposição de idéias e sentimentos possa fazer com que alguns se despertem do sono da intolerância e incompetência e possam perceber que vale a pena ser original sem ser retrogrado, ser discipulador sem ser manipulador, ter um discurso que os faça pensar do que ter aquele apanhado de idéias que todos falam e querem ouvir, mas não deixam marcas nas pessoas com amor, mansidão, alegria, companheirismo. É tempo de readaptar, juntar idéias e pensamentos sem perder a identidade, o caráter e a alegria de servir as pessoas e suas necessidades.

Sobre desfrutandodagraca

Cristão, Marido da Ge e Pai da Alline, Leitor e Escritor, Gestor Recursos Humanos, Amante de Futebol (SPFC)... Ver todos os posts de desfrutandodagraca

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