A correria do dia a dia nem sempre nos faz refletir no estado físico, mental e espiritual que estamos, vivemos focando o futuro, naquilo que pode nos acrescentar em bens, esta geração esquece de olhar para seu próximo, os de dentro de casa muitas vezes são mal compreendidos porque falta “tato”, amizade, afeto dentro de muitos lares. Isso se torna perceptível nas empresas, nas escolas e nas igrejas. Estamos ocupados demais para atender a dor alheia, estamos tratando de nossos interesses e esquecemos que do nosso lado pode estar alguém carregando dores do passado, uma frustração que incomoda e dói.
Na maioria das vezes somos pegos de surpresa quando temos notícia que alguém esta passando por apertos físicos, emocionais e espirituais. Logo pensamos que aquela pessoa que parecia tão forte se encontra depressiva é por falta de não ter o que fazer. Rotulamos como isso e aquilo. Não fazemos o papel do Mestre de estender a mão ao necessitado, em alguns casos passamos o maior “carão” (vergonha) quando um dos nossos diz publicamente que esta doente, é possível que a pessoa mascare sua dor, mas a sinais tão claros que deveríamos atentar, mas voltamos as nossas prioridades como forma de atender ao EU.
Enquanto isso, pessoas em diversas partes, conhecidas ou não sofrem com a depressão. Mas o que é depressão? Por que tanto se fala deste mal que aflige um número cada vez maior de pessoas? É possível um cristão sofrer desta dor? Por que algumas pessoas chegam ao ponto de tirar a própria vida? Algumas perguntas parecem não ter uma resposta totalmente segura as nossas indagações, por mais que pensemos ser fortes em algum momento bate aquela tristeza que nos afasta e nos isola.
Isso é normal para qualquer ser humano, mas há casos específicos que esta dor e sofrimento é tão horrível que os afasta das pessoas, mesmo estando rodeado de uma multidão. Parece incrível, mas a verdade é que alguns males deste século tem tornado freqüente na vida de milhares e milhares de pessoas, independente de sua crença, raça, partido, sexo, status, dinheiro e etc…
A depressão é uma desordem psíquica onde o cérebro que é formado por células (neurônios) mantém uma comunicação através de moléculas “Neurotransmissores” que não desempenham suas funções corretamente. O número de pessoas clinicamente nesta situação, segundo estudos, é da ordem de 10% a 25%, sendo que deste montante 60% se suicidam.
É complexo falar deste assunto, mas há relatos de pessoas que não conseguem entender o porquê vivem em situação de risco, imagine a história de um homem bem sucedido, sua boa esposa e filhos lindos, boa situação financeira, mas que vive depressivo. As causas podem ser diferentes para cada pessoa e não se podem ignorar fatores biológicos e espirituais, portanto o acompanhamento de um profissional é sempre recomendado.
Alguns especialistas afirmam que a causa maior da depressão é a queda de energia, ou seja, uma pessoa ativa se depara com uma situação de passividade, aos poucos vai se sentindo “inútil” o que a faz sentir triste, mas a outras ações no corpo que mostra esta atitude, ou seja: corpo pesado e lento, dores no corpo, dores de cabeça, alteração do ritmo intestinal, digestão e pele, cabelos, unhas, alteração no sono, fibromialgia (Doença crônica que se caracterizam, sobretudo por fadiga contínua, dores generalizadas, alterações de sono e perturbações cognitivas), casos específicos de pessoas depressivas que adquiram infecções, diabetes e sofreram infarto.
Os sintomas mais freqüentes na depressão são desânimo, tristeza, falta de energia, diminuição de apetite, insônia, falta de desejo sexual, sem vontade para banho, tv e pensamento pessimista, não querer estar com pessoas, perda me memória, tremor e palpitação, obsessão por situações inusitadas, sem graça, olheiras, pele envelhecida, insensível a alegria e tristeza, medo, culpa, etc…
Dentre as causas e fatores podemos citar predisposição genética, personalidade perfeccionista, perdas, gravidez, síndrome do pânico, menopausa, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), ansiedade, fobia social, stress pós traumático, apnéia do sono, câncer, hepatite, infarto, sífilis, doença de Wilson, aids, lupus, insuficiência renal, drogas, álcool, anabolizantes, fórmulas para emagrecer, etc…
O tratamento pode ser com o uso de antidepressivo é um caso, tratamento a base de remédios para corrigir o metabolismo dos neurotransmissores, e através da psicoterapia, como auxiliador da medicação, para tratamento de personalidade.
Um aspecto fundamental na reabilitação é a família, primeiro que ela sofre junto, algumas não conseguem ajudar de forma correta, outras correm atrás de especialistas, exames, entre outros, e tem as famílias que pensam na pessoa querendo aparecer, tendo frescura ou algo neste sentido. Lembre-se que depressão não é um sinal de fraqueza e sim de indecisão que só com o apoio familiar e ajuda médica pode reverter o quadro.
Além destas ações, familiar e médica, não pode deixar de observar que para cada paciente há um tratamento específico, nem sempre um remédio terá ação direta, portanto o especialista poderá trocar a medicação. Em caso de melhora do paciente, mesmo em tratamento, é importante não deixar de tomar os remédios, toda decisão precisa ser avaliada com o médico e familiar responsável, não tenha pressa.
Mas o que dizer de um cristão depressivo? Há casos que pastores e líderes sem nenhum preparo afirmar que depressão é demoníaco, todo cuidado é pouco, e o que já é ruim para pessoas que sofrem deste mal, pode agravar. Como já mencionado a depressão é uma desordem psiquiátrica que afeta muita gente. E infelizmente o cristão não esta livre disso, assim como o câncer, a diabete, etc…
A depressão pode ser classificada como leve (2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas), distimia (3 ou 4 sintomas durante dois anos) e depressão maior (5 ou mais sintomas com período maior), é um triste quadro onde pessoas que sofrem depressão são mal interpretadas o que causam males maiores, e seu diagnostico é lento, mas sua abrangência é causadora de distúrbios sociais, interferindo diretamente na qualidade de vida.
A confusão se dá porque a doença é semelhante a sintomas espirituais, o que levam muitos a pensarem que só a oração pode curar, não estou querendo dizer que Deus não possa, mas há casos e casos, por isso ele deixou os médicos para auxiliarem no tratamento.
Segundo alguns teólogos Elias teria se refugiado no deserto, por ter sido vitima de depressão, por isso buscou o isolamento, ficou desanimado, sentiu-se inútil, desejou a morte.
Não quero afirmar nem refutar tal afirmação, mas dizer que os doentes precisam de cura, Deus pode renovar nossas forças nos trazendo um novo ânimo diante das dificuldades, mas é preciso de acompanhamento tanto de médicos quanto pastoral. O grande problema é que pessoas cristãs negam a ajuda e em casos isolados só tem notícia quando estes cometem o suicídio.
Tenho muito cuidado ao falar nesse assunto, por entender a dor da pessoa, já vi ignorantes afirmarem que só fica depressivo quem quer, mas não é bem assim, já estive preso a dor e magoas quando adolescente, a causa foi um problema na família, que trouxe conseqüências a todos, direta ou indiretamente, nunca sentamos e conversamos para saber as causas e pedir e liberar perdão sofremos calados cada um a sua dor. As alternativas que busquei na época eram paliativos que não levou a lugar nenhum, a não ser um sentimento de dor e tristeza sem fim, e uma vontade absurda pela morte, coisa que a busquei freneticamente a ponto de subir em um viaduto e sentir-me um covarde e não pular.
Coloco-me a disposição para ouvir sua dor, e compartilhar com seu choro, para orar junto, a depressão é uma doença que incomoda a todos, mas a cura, você não é único nesta situação, afinal não são os doentes que necessitam de médicos? Jesus é o médico dos médicos…
Nós devermos ter papel fundamental no desenvolvimento daqueles que padecem de alguma forma de depressão, dando amor, carinho, afeto, ouvindo, conversando, em casos mais agudos, indo junto em um especialista, se importando com os que sofrem… Este é o papel da igreja de ser participe da alegria e da dor de seus irmãos, pois quando tudo vai bem é fácil, mas precisamos rever nossas agendas de prioridade e estar mais perto, compartilhando do amor, misericórdia e graça, nisso saberemos se somos dEle, e assim praticaremos o bem a todos, vivendo como família, em comunhão e adoração.

