Qual o interesse de grupos se unirem em pró de um objetivo comum?
O que nos faz diferentes em gostos, vontades e desejos a ponto de unir pessoas de raça, credo, sexo em torno de uma necessidade?
É realmente necessidade ou satisfação da nossa carne?

Os últimos dias estão sendo marcados por manifestações oriundas da vontade do povo, vivemos em um estado laico, ou seja, não possui uma religião oficial, mantendo-se neutro e imparcial aos dogmas religiosos, isso na prática favorece a convivência pacifica entre os credos, combatendo o preconceito e a discriminação, separando Estado e Igreja, o que por si só é excelente, afinal em um país democrático isso é bom para todos, mas quando se fala em democracia, isto é, um governo do povo, onde o regime político se fundamenta na soberania popular, onde todos têm liberdade eleitoral, divisão de poderes e no controle da autoridade, nos remete a um conjunto de filosofias que garante a todo cidadão liberdade de expressão.
Isso é muito bom quando se avalia que toda pessoa tem direitos e deveres, e neste conjunto de idéias é preciso entender que a um limite que se deva respeitar para que um grupo especifico não extrapole o de seu semelhante.
O que quero refletir neste artigo são as diversas marchas que “pipocam” em Terra Brazilis dando a sensação que podemos tudo, mas em contrapartida grupos minoritários se acham no direito de impedir que outros circulem ou expressem uma opinião contraria, logo os taxando de discriminatório ou algo semelhante.
Dentro deste universo de filosofias é perceptível que algumas vezes para se valer de uma questão polêmica “enfiamos” goela abaixo nossas teorias para que todos aceitem nossa posição o que me faz pensar que todo extremo é perigoso, e aqui vale mais a Educação para dar a essência como instrumento que venha impedir que conflitos sejam tão agressivos e leve a uma participação mais parcial e intolerante para as partes envolvidas.
Como vivemos em um país laico as diversas religiões e credos deveriam se respeitar mais, mas em nome de “deus” difundem idéias oriundas da má formação ética, levando ao desrespeito e a acusações sem fim, como estado laico o governo não pode emitir nenhum sentimento que leve a apoiar um lado especifico, mas garantir os direitos de todo cidadão, quando se legisla com bravatas e argumentações esdrúxulas só tende a corroborar para que essas discussões tomem formas cada vez mais para o mal do que para o bem comum.
Por outro lado o estado democrático nos leva a refletir em que cada um expresse onde e como quiser, e as autoridades dêem a todos os mesmos direitos para se expressar desde que não configure em apologia ao crime, à desordem e a discriminação.
Neste contexto geral, como mencionado anteriormente, as MARCHAS vem em uma crescente estampando protestos e afirmações para todos os gostos e públicos, mas até que ponto estas manifestações populares edificam e contribuem para o bem comum?
Vejamos alguns casos:
Maconha
Há alguns dias cerca de 250 pessoas participaram da Marcha da Maconha no Rio de Janeiro, outras cidades também puderam ouve manifestações, sendo que São Paulo foi proibido por fazer apologia ao crime.
Para a organização do evento a luta é pelo fim da repressão ao uso da erva cannabis sativa, entre os participantes Carlos Minc, ex-Ministro e atual Secretario do Meio Ambiente: – Há várias posições diferentes sobre o assunto. Em comum, há o fato de que a atual política de drogas é comprovadamente ineficiente.
O Governador do Rio e o ex Presidente Fernando Henrique são alguns que apóiam e chegam a dizer que a luta contra as drogas é ineficaz, para o ex Prefeito César Maia: É apologia ao crime, não restando duvidas, o site estimula, ensina e dá dicas para usar – afirma ele.
Contra a PLC 122/06
O assunto do momento é a aprovação do PLC 122 e da união instável entre casais homossexuais, o tema tornou a Ordem do dia após o Judiciário pronunciar a favor, dando margem para que o governo e entidades ligadas ao movimento começassem a falar do assunto abertamente.
O governo depois de manifestações e pressões da bancada evangélica mudou o discurso, a Presidente Dilma afirmou que o Estado não pode influenciar em questões que promova discussões religiosas, mas que trabalha contra a homofobia. O Ministro da Educação chegou a vincular que era preciso discutir mais o assunto e que a distribuição do Kit-Gay nas escolas era fruto de uma ONG. Pelo visto a discussão em torno do tema seguira cenas de próximos capítulos.
Com isso alguns líderes têm posicionado, uns com repulsa e levado seus fieis a se posicionarem, assinando e mandando e-mails para os congressistas a fim de que breque a PLC 122, entre estes o Pr Silas Malafaia tem um posicionamento contra e Pr Ricardo Gondim a favor dos direitos.

Contra a Homofobia
A marcha contra a homofobia tem ganhado as ruas das principais cidades do País, segundo seus organizadores é preciso votar a favor do PLC 122/2006 que criminaliza a discriminação contra os LGBT.
A bem da verdade, ataques contra gays e simpatizantes tem ganhado as noticias de toda mídia nos últimos meses, uma das vitimas, um rapaz de 23 anos foi atacado pelas costas, com uma lâmpada fluorescente na Avenida Paulista, segundo dados 250 brasileiros tiveram destino pior em 2010, sendo assassinados pela opção sexual, aproximadamente 500 pais perderam seus filhos pelo ódio e intolerância.
De fato, há cerca de dez anos, os Estados de SP, RJ, MG e RS criaram leis estaduais que punem atos de discriminação por orientação sexual e identidade de gênero com advertências e multas, dentre outras sanções.
Mulheres
Parece mentira, mas não é. Em varias cidades do mundo acontece à passeata contra a discriminação de mulheres, segundo o lema proposto é um grito contra a “mulher estuprável”, para seus organizadores alguns homens machistas acusam as mulheres de vestirem sensual demais o que leva os homens a cometerem tal ato. Alguns rotulam a passeata como a Marcha das Vadias.
A Revista Tpm ouviu algumas mulheres que levantam a bandeira da causa e mostram por que não devemos ficar de fora da passeata.
Para Marjorie Rodrigues, 23, que mora em São Paulo e é assessora de imprensa, a idéia da marcha é excelente e que o protesto é necessário. “Essa coisa de separar uma mulher entre santa ou vadia, é algo que não depende da sexualidade da mulher ou de quantos parceiros ela quer ter. O julgamento vem da maneira que você anda que você senta, se você ri demais, se você fala demais. Já passou da hora da gente protestar contra isso pra termos mais liberdade ainda. É aquela velha história: o homem pode falar que tal mulher é gostosa, mas se eu falar isso, eu sou uma vadia. No Brasil, a gente tem o exemplo recente do Rafinha Bastos que fez uma piada dizendo que cara que estupra mulher feia merece um abraço, tem a frase do Maluf ‘estupra, mas não mata’, tem o caso da Geisy Arruda que todo mundo julgou como p… por causa de um vestido. Essa questão só parece pequena, mas a verdade é que ela oprime as mulheres todos os dias”, disse. “O nome da marcha é de fato pejorativo, mas a verdade é que o propósito da marcha é maior. Não existe mulher vadia, mulher santa ou mulher vagabunda, existem vários tipos de mulheres e cada uma explora sua sexualidade do jeito que achar mais adequado”, completa.
“Pra mim, o nome ideal seria ‘Marcha das Mulheres Livres’, mas não teria tanto impacto na mídia” – Tica Moreno, socióloga de 27 anos, também de São Paulo, também parte da idéia de que a marcha foi uma ótima sacada das meninas em Toronto. “Elas conseguiram potencializar o debate de que não importa o tipo de roupa, ou o tipo de comportamento, nada justifica a violência contra as mulheres. Vale lembrar do caso do goleiro Bruno. A própria mídia justificou a violência dele porque diziam que Eliza Samudio era uma garota de programa, que adorava sair com vários jogadores. Então, pra nós, é o momento de levar para as ruas, pra mídia, pra internet, que nada é capaz de justificar a violência. O termo vadia pode sim ser usado de uma maneira que foge da proposta, não acho que é o caso de positivar a palavra, mas a verdade é que as mulheres são livres para terem o comportamento que quiserem. Nosso debate não se trata sobre ser ou não devassa, pra gente se trata de ser livre. Pra mim, o nome ideal seria a Marcha das Mulheres Livres, mas vamos combinar que isto não teria tanto impacto na mídia”, explica.
Marcha para Jesus
Como acontecem todos os anos a Macha para Jesus percorrera as ruas de São Paulo e terá a presença de bandas gospel como: Renascer Praise, Katsbarnea, Thalles Roberto, Dj Alpiste entre outros.
Segundo um seguidor da Marcha ele afirma: Esta marcha trouxe uma coisa que nenhuma outra trouxe. Todas as marchas que já marchei, não só no Brasil, mas no exterior, em Angola algumas vezes, nos EUA algumas vezes, em vários estados no Brasil, um dos meus primeiros pedidos é: ‘Senhor, realiza os teus milagres no teu povo. É o Teu nome que está envolvido, são os teus filhos. Marca com sinal de milagres’.
E, nesta Marcha, eu vi esse povo que a gente tem clamado, orado, jejuado, levantado de madrugada, com força ou sem força, com saúde ou sem saúde, levantado do jeito que for para trazer uma Palavra, para buscar uma cura, eu vi eles marchando por mim, marchando pelo meu filho. Uma Marcha absurda de grande. Era uma cortina, tinha que passar por aquela cortina, pela minha casa pelo meu filho.
MST
Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), há anos vem forçando o governo a negociar terras improdutivas em todo Brasil, mas o que se vê é uma ocupação sem fim em um cenário que parece um Faroeste Cabloco.
Só para ter noção da força do movimento antes de chegar ao Incra do Paraná, os sem-terra participaram de uma marcha pelas ruas da Capital desde a Praça 29 de Março. Cerca de 2,5 mil sem-terras chegaram na Capital para a Jornada de Lutas e Negociações no Paraná.
Segundo os sem-terras, a mobilização tem por objetivo cobrar tanto do governo federal quanto do estadual a realização da reforma agrária, que está paralisada no País.
Conclusão
Pelo que temos visto a uma grande gama de pessoas descontentes no Brasil e querem a todo custo manifestar através de marchas sua posição, como já mencionado, vivemos num Estado Democrático onde todos podem expor opiniões, mas deve-se ter o cuidado de não ferir com violência ou até manipular a massa contra grupos minoritários, pois a pratica de atos obscenos e manifestações ou palavras soltas podem trazer certa instabilidade e em vez de ser uma forma pacifica de deixar expressar uma opinião, pode ter efeito contrario, dando um tiro no pé levando a opinião pública a posicionar contra.
As drogas por anos é caso de saúde pública e tem sido tratado pelo governo como crime, o que leva os usuários a locais impróprios para seu tratamento, e deixando de fora da cadeia os verdadeiros chefões do trafico. É preciso re-ver conceitos e tratar os dependentes em suas raízes, a UNIFESP tem saído na frente dando cursos para aqueles que queiram ajudar na luta contra as drogas, entendendo que além da maconha, cocaína e outras o álcool tem dizimado nossos jovens e adolescentes. Não acredito que precisa liberar o uso da maconha, mas regulamentar, agir com medidas de prevenção e auxiliar aqueles que vivem no submundo da sociedade.
Outra marcha que ganha força nestes dias é sobre a PLC 122 onde homossexuais querem a aprovação do casamento e da união instável para pessoas do mesmo sexo. A questão precisa ser discutida e levada a plenárias não só no Congresso Nacional, mas em igrejas, escolas, fabricas e etc… Penso que como cidadão todos nós temos direitos garantidos, mas não podemos criar grupos exigindo cotas para isso e aquilo, senão vamos virar uma tribo sem fim… Reprimir os homossexuais é algo muito difícil, com ou sem união eles continuaram cometendo suas orgias, particularmente sou contra o casamento gay, mas penso que eles tenham direitos como cidadãos que precisam ser preservados e respeitados como pessoa. Mas os dois lados têm agido de forma repressora e infantil, a igreja tem tratado o tema de uma forma cruel levando os praticantes a agirem de forma vexatória o que nenhum dos lados ganham, mas poderia usar de estratégias mais simples contra a pratica repugnante do homossexualismo e afastando todo fundamentalismo usado de forma bruta contra pessoas. E os gays deveriam, já que quer ser respeitado, agir de forma humana, não impondo duas praticas para que todos aceitem, afinal assim como eles se auto intitulam vitimas de preconceito fazem o mesmo ao chamar os evangélicos de nomes que prefiro não mencionar.
Esta marcha das mulheres é nova, mas o movimento feminino por anos luta por questões que acredito ser valido, não se podem rotular pessoas pela sua roupa, mas o que a por trás destas manifestações? Cada um que use aquilo que goste respeitando seu próximo.
A marcha para Jesus é uma passeata que ganhou adeptos, mas que nos últimos anos tem caído em descrédito pelos envolvimentos de suas lideranças em escândalos, quando analisamos a concentração de evangélicos em uma praça é preciso saber no que isto tem edificado o Corpo, já que uma simples manifestação pública em torno de um grupo musical não leva a lugar nenhum. A igreja precisa fazer a diferença em seus nichos, ou seja, em escolas e faculdades, ambientes de trabalho, círculos de amizade entre outros, não será com trajes de roupas, linguajar diferente, com pode e não pode, com proibições humanas ou coisa do gênero, mas com atitudes de amor para com o próximo e um testemunho de vida pessoal que revela a conversão.
O MST tem sido uma pedra na vida de muitos fazendeiros e governos em geral, a terra deveria ser compartilhada por todos, mas a maneira desumana e o uso de violência deste movimento têm afastado as pessoas e levado o movimento a margem da criminalidade, sua maneira hostil tem manifestado em rebelião contra os cidadãos e seus bens pessoais o que é inaceitável.
Por fim é preciso saber que a partir do momento que você dispõe a manifestar contra ou a favor de alguma coisa, saiba que existirá sempre alguém de olho em você, quando você sai na rua “usando um estilo diferente” você precisa “aceitar” olhares de todo tipo, não estou dizendo que é preciso ser discriminatório ou usar de cantadas e palavras feias ou que incite a violência contra ninguém, mas cada pessoa deve se dar o respeito e ter ética e bom gosto em suas ações e praticas.
O respeito à vida deve estar acima de tudo, mas não se pode calar a voz de ninguém com mordaças, com regras, leis levando o ser humano a viver em guetos e cotas que mais afastam e geram discriminização e preconceito, não contribuindo em nada para o bem comum.
É preciso rever conceitos e aceitar as pessoas como são, desde que suas atitudes, manifestações e bandeiras não venham ferir em palavras e ações seu semelhante, é preciso buscar políticas públicas que revigorem o Estado de Direito sem impor a outros aquilo que acreditamos ser bom para nós mesmos, e nenhuma medida abusiva para garantir os direitos de minorias valera da aprovação seja do governo, da igreja ou sociedade como um todo. Todo fundamentalismo que visa à exposição e avacalhação contra pessoas seja recriminada…

