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Evangelho com Graça e de graça senão vira (des)graça…

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” Ef. 2.8.

Sem nenhuma pretensão quero desafiar você a ler este artigo, embora grande, ele tem tudo a ver com a nossa caminhada. É certo que vivemos dias onde a uma confusão generalizada a respeito de fé e religião, pode parecer que elas são uma coisa só, mas quando vê de perto percebe que cada uma trilha caminhos diferentes.

Sempre que alguma coisa faz “barulho” em meus ouvidos eu tento compartilhar de forma anônima, seja porque não ouvi diretamente da pessoa e por questão de ética tento não dizer nomes até porque não saberia comprovar e poderia “soar” como fofoca, mas as redes sociais tem sido minha terapia diária para expor aquilo que gostaria de “gritar” ao mundo o que entendo sobre religião e evangelho. Estes dias postei que “O evangelho da Graça deve ser compartilhado com Graça e de graça senão vira desgraça”, embora o termo GRAÇA esteja enfatizado, fique gravado que os trocadilhos não são mera coincidência e por vezes fico extremamente preocupado com o futuro da instituição, afinal algumas jovens lideranças tem se tornado expoente nestes últimos anos, parece que aos poucos revelam que não tem nada de novo a acrescentar, seja por sua postura retrograda ou por medo de mudanças, com isso o que parecia novo nada mais é do que uma capa, onde sua aparência e fala mostra-se interessante, mas suas atitudes são do continuísmo.

Não quero dizer que as cabeças antigas são descartáveis, mas que o novo precisa fazer parte natural da vida, sair do status quo e viver um presente sem medo das represálias do passado, entendendo que o futuro pode ser desfrutado com Graça. Isso cabe a todo tipo de instituição seja ela religiosa ou corporativa, onde os barões quando saem de cena deixam seus pupilos comandarem o show de horrores onde fica o espetáculo de mandos e desmandos, logo aquilo que deveria ser benfeitoria pública torna-se um sentimento de culpa, levando um número cada vez maior de pessoas a recorrerem a psicólogos ou desviarem da fé, (nas pessoas, nas instituições e em casos isolados, mas não de menor importância, de Deus). Isso é perceptível quando se tem um olhar mais apurado da condição humana e vê a pessoa como indivíduo que aos poucos vai se afastando dos seus grupos e isolando, formando assim uma sociedade individualista e predatória. (Haja vista as redes sociais que temos “milhões de amigos”, mas acabaram os telefonemas e encontros).

Quando penso em Graça e na (des) graça humana pós moderna, fico pensando se todos nós, de fato, entendemos o significado disso e estamos vivendo-a na essência. Gosto muito de Paulo, ele não faz rodeios e manifesta seu entendimento de forma simples e clara em 2 Cor. 12.9 “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Quando pensamos que somos fortes e totalmente capazes de andar sozinho, caímos em erros recorrentes, nessa hora percebemos que se somos salvos é por causa dEle e não nossa. Todo conceito de Graça é paralelamente entendido a luz de Jesus Cristo, como autor e alimentador de toda ação, não há nada no ser humano que possa refletir bondade a ponto de doar tudo, essa ação de “dar a vida por alguém” é um ato isolado de Jesus na compreensão correta de graça.

Afinal o que é graça? De bate pronto é favor imerecido, mas podemos dizer também que é fruto da bondade de outro para conosco sem merecermos; Somos seres imperfeitos e em constante mudança, precisamos quebrar o paradigma que leva a crer que precisa estar preso a tradições “humanas” quando precisamos de verdade estar preso em Jesus, pois Ele nos comprou com Sangue, logo temos um dono e nossa suposta liberdade não faz sentido. Graça tem sentido literal quando entendemos que não temos parte nela, ou seja, não há nada em nós que possa reverter o quadro e nos leve para um estágio de santo, por merecimento próprio, só através do Sacrifício na Cruz, em outras palavras a graça só tem sentido quando aceitamos a Jesus, fora dele vivemos desgraçados.

É por isso que muitas pessoas erram ao dizer que são devotas e sua fé esta acima de qualquer suspeita e colocam como parâmetro as cadeias da religião, Jesus em momento algum falou em religião, Ele condenou os religiosos que ficavam horas no templo em conluios partidários. Isso em algum momento começou a entrar no cerne da Igreja Primitiva onde alguns começavam a dizer que eram de Paulo, outros de Apolo, outros de Cefas. (I Cor. 1.12) Não quero que você pense neste texto como algo indutivo que force você a optar por uma religião e não por Cristo. A evidência da Graça na vida das pessoas são os frutos do Espírito Santo “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”. Quando leio a biografia de alguns notáveis, fico admirado como estes que para muitos são hereges e pecadores, eles encarnaram os frutos e suas vidas exalavam vida em favor do próximo, Madre Tereza do Calcutá, Gandhi, Dostoievski, Martin Luther King são alguns que entre medos e fraquezas alcançaram vitórias únicas e nem sempre visíveis.

Graça vem do latim gratia, um derivado de gratus, e pode ser entendida como gratuitamente. A graça de Deus nos alcançou “gratuitamente”. Outro dia estava conversando com uma pessoa e explicando que o texto de Tiago 4.8 é tão claro, mas que nossa limitação por vezes, coloca dúvidas e incompreensões. “Chegai-vos a Deus e Ele se chegará a vós”, alguns pensam que Deus afastou do homem, mas em momento algum Ele tem esse tipo de atitude, lembre-se da parábola do filho pródigo, o filho pede sua parte da herança e vai embora e gasta tudo que tem, enquanto seu pai fica olhando pela estrada esperando seu retorno, ele não sai de mudança para outras terras ou simplesmente fecha o portão impedindo alguma reconciliação. Ele e seu irmão mais velho que “administrava” as coisas do pai viviam segundo os desejos da carne “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizade, contenda, ciúmes, ira, facções, dissensões, partidos, inveja, bebedice, orgia” perceba que ambos perto ou longe aparentemente da casa do Pai, não desfrutavam de Sua Presença, com Deus não é diferente, quem se afasta é o homem que por não entender a Graça, pensa que pode viver uma vida “livre” longe d’Ele, e tem a sensação errada que Ele se afastou, então ficam decepcionados, frustrados, desmotivados, e longe da Graça.

Sendo assim podemos definir Graça de uma maneira simples e clara: o amor de Deus pelo homem. É difícil compreender, pois quem saiu ofendido com o pecado do homem foi Deus, mas mesmo assim, Ele busca reconciliação com o homem através de Cristo, a palavra grega “charis” graça tem diversas citações bíblicas e aplicações, mas podemos entendê-la como sendo um atributo específico de Deus para salvar o homem.

“Graça é amor que ultrapassa todos os limites de amor” é o que conceitua Dr. Dal como sendo algo que jamais pode ser reivindicado pelo homem. Alexandre Whyte comenta “Graça e amor são essencialmente o mesmo, sendo que graça é o amor se manifestando e operando em certas condições, e adaptando-se a certas circunstâncias. O amor não tem limite nem lei como tem a graça. O amor pode existir entre iguais, ou pode ir até aos que estão acima de nós, ou descer aos que estão abaixo de nós. Mas a graça, por sua natureza, só conhece uma direção. Ela desce aos que estão abaixo; é amor de verdade, mas amor às criaturas, portanto humilhando-se. O amor de um rei por seus iguais ou pelos outros do palácio real é amor. Mas seu amor aos súditos é graça. É por este motivo que o amor de Deus é chamado de graça”. Para Alexandre McLaren “A palavra graça é um tipo de sumário da totalidade de bênçãos imerecidas que vêm ao homem através de Jesus Cristo. Em primeiro lugar, ela descreve o que nós chamamos de “disposição” na natureza divina; e ela indica um amor perdoador de Deus, imerecido, espontâneo, eterno e que chega ao nível do homem. Todas as disposições de Deus são ativas. Portanto a palavra passa de uma disposição a uma manifestação, fazendo da graça de Deus um amor ativo. Desde que as atividades de Deus nunca são infrutíferas, a palavra passa a significar todas as coisas abençoadas da alma que são conseqüências da mão condescendente de Deus que produz frutos em nossa vida por Seu amor imerecido e gratuito”. Philips entende que “Graça é algo em Deus que está no coração de todas as Suas atividades de redenção, Seu rebaixar-se e estender de Sua mão das alturas de sua majestade, para tocar o insignificante e a miséria”.

Esses homens inspirados por Deus contribuem para entender melhor o significado de Graça, a ponto de nos ensinar algumas lições básicas: a) Deus tem pré-disposição para ajudar o pecador; b) Ele esta sempre querendo fazer o bem ao homem; c) Toda boa ação que o homem tem para com seu próximo é fruto dEle por meio da Graça.

Embora as evidências da Graça dêem a partir de Jesus Cristo, ela é vivenciada no Antigo Testamento, ou melhor, é parte integrante do Plano de Salvação que estava sendo orquestrado antes da fundação do mundo. Não tinha um Plano B, é certo afirmar que Deus não foi pego de surpresa, a Trindade sabia que após a criação do homem viria a queda e no tempo certo o Redentor seria enviado para (re) ligar o Homem a Deus. A palavra diz que todo homem é pecador, havia um escrito de dívida que nos separava de Deus, portanto nada que fizermos poderá nos livrar da morte, é necessário que alguém viesse e morresse em nosso lugar, sendo assim somos devedores (ROM. 8.12), mas pela Graça essa dívida é lançada no esquecimento e por meio dele (Jesus) somos salvos.

Vamos voltar de novo à frase: “O evangelho da Graça deve ser compartilhado com Graça e de graça senão vira desgraça”, ora se não há nada ao homem que possa contra argumentar como forma de reivindicar seja o que for não há saída alguma para nós em deleitarmos no amor de Deus. Entendemos que Evangelho são boas novas e não uma religião, essas boas novas precisa ser vivida inteiramente, sem regras humanas onde se prende a comodismo e artimanhas onde a presa fica sendo manipulada a bel prazer por um tirano que só quer usufruir e nunca fazer o bem.

Infelizmente vivemos dias que um bom discurso é oferecido às pessoas como se fosse Evangelho, mas em nada se assemelha as boas novas que Jesus nos deu, e estes aproveitadores da fé alheia usam de sua boa comunicação para influenciar a tantos quantos puderem e manipular a fim de encher seus bolsos de qualquer nota, desde que o ofertante entenda que é dando que se recebe. Não é de se espantar o número de pregações, canções e campanhas onde o foco esta em Prosperidade e Milagres. Quanto mais você dar a Deus mais “PODER” você terá para “REIVINDICAR” e obrigá-lo a “RESTITUIR” tudo…

Lembra no início quando falei que ouço barulho de jovens líderes que estão a todo custo reinventando o evangelho? Nesse nicho existem pessoas: carismáticas e tiranas, milagreiros e ateus, tradicionais e pentecostais, mestres no ensino e pessoas sem estudo algum, que manipulam suas “Ovelhas” como se fossem os detentores da verdade. Mas onde entra o evangelho nisso? Somos hipócritas ao cantar: – TUDO entregarei; – Seja feita a TUA vontade; – ABRO mão de meus sonhos… Já falei outras vezes e repito: EVANGELHO é perda e não lucro. O exemplo do Mestre onde Ele abriu mão de Sua Glória… Mas nós queremos ser maior que nosso Senhor e por não entender o que é Graça vivem uma vida desgraçada colocando Jesus na parede e exigindo dEle como se fossem alguma coisa. Esses senhores feudais agem de má fé quando barganham a fé (não é de estranhar que o número de desviados só aumenta), pois ficam frustrados por não terem sucesso na vida e culpam Deus por suas misérias. São capazes de colocar um peso que nem eles podem suportar nas pessoas que eles deveriam tratar como irmãos.

É preciso voltar às origens do discipulado e orientar tanto os velhos como os novos cristãos sobre o Evangelho da Graça, pois estamos sendo diariamente enrolados sobre o significado de vida nova em Jesus, esta teologia de porta de bar onde temos livre arbítrio para fazer o que quiser e não precisar reportar a ninguém (entenda-se Deus).

Os fundamentos da fé cristã precisam ser revisados dia a dia, a ponto de enfatizar em cada pessoa o quanto somos necessitados desta Graça e não somos nada sem Deus, quando levamos a vida como “bon vivant” estamos jogando “na cara” que o sacrifício na Cruz foi em vão, o apóstolo Pedro em sua carta diz: “O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama”, pois é assim que fazemos quando negamos a Cristo com nossas atitudes e decisões.

A teologia de que podemos tudo é perceptível em toda parte, a lei da oferta e da procura parece incendiar corações mais do que a Graça de Jesus pelo homem, é difícil encontrar hoje sermões onde enfatiza que o homem é pecador e precisa de Salvação, trocou-se pelo discurso de que é possível ter riquezas nessa vida, que podemos ser curados de todos os males, que o melhor de Deus está por vir ($$$), que não morreremos antes de ver as promessas serem cumpridas e coisas do tipo. Não digo que não tenhamos que buscar melhorar de vida, mas barganhar em nome de Deus é jogo sujo.

O Evangelho de Jesus nos foi confiado não porque há em nós algo de valor, somos pecadores e precisamos da salvação que só vem dEle, estamos trocando a vida eterna com Ele por coisas desta vida, esquecendo que somos passageiros em terra estranha, que temos um dono e não temos direitos a nada, tudo é dado a nós por Graça, quando nos tornamos crescidinhos estamos rejeitando seu amor e disposição em salvar, quando trocamos suas palavras de amor e sua bondade, voltando-se contra Ele e sua Palavra, na verdade estamos rejeitando essa Graça e vivendo uma vida sem perspectiva.

Algumas pessoas perguntam: – Pode alguém ser amaldiçoado ou desgraçado nessa vida? Sim, a partir do momento que rejeitamos a Cristo já vivemos em desgraça, e não precisa sofrer nenhum acidente, ter uma doença incurável, ter uma família bagunçada ou coisa do tipo, quando estamos longe de Jesus nosso presente é incerto e nosso futuro reserva uma desgraça maior ainda, afinal sem Ele o que nos resta é uma expectativa de terror e fogo eterno… De novo volto a dizer que não estou falando de religião, mas de fé, a religião aprisiona e a fé liberta, cura e salva. Muitas pessoas têm sua religião e vão aos templos para rezar e cantar algumas músicas bonitas que preenchem o vazio, mas há pessoas que não precisam disso para saber que “Aquele que começou boa obra a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo”, somos salvos não porque somos bonzinhos e não pecamos, somos salvos porque a Sua Graça e Misericórdia nos alcançou primeiro.

Termino com as sábias palavras de Charles Spurgeon “Creio na doutrina da eleição porque tenho absoluta certeza que, se Deus não me escolhesse, eu jamais O escolheria. Tenho certeza que Ele me escolheu antes de eu nascer, ou do contrário nunca me escolheria depois disso”.

Pense nisso!!! Ainda é tempo de viver em estado de Graça!!!