É tempo de fé e brincadeira se misturarem em nosso cotidiano, no mês de outubro os movimentos de todo brasileiro parece ir a mesa direção, sem exagero é claro, mas ainda somos uma nação católica que faz da fé sua bandeira para esquecer as mazelas da vida, por outro lado no mesmo dia a criançada não vê a hora de ganhar o tão esperado presente. Para isso nos dois casos a um misto de fé e esperança porque durante o ano todo foram feitas promessas em troca de um presente especial. Não condeno os católicos por essa atitude, pois teria que mudar um ciclo cultural que esta inserida nas camadas de nossa sociedade, muito menos impediria as crianças de sonharem e projetarem suas brincadeiras com seus brinquedos de ultima geração, que a cada dia as transformam em individualistas o que as futuras gerações Y e Z terão que passar neste mundo cada vez mais competitivo, afinal até na religião vale a pena ascender uma vela a mais para o santo atender seu pedido, que dependendo da urgência tem aqueles para causas impossíveis.
Não quero fazer apologia a nenhum credo muito menos ofender sua opção religiosa, antes que os “religiosos de plantão” venham afrontar, seja em palavras ou pensamentos, eu não me converti a Aparecida, mas reconheço em seus fiéis uma grande paixão que os impulsiona a pedir e fazer promessas em troca de uma graça alcançada. Para quem já esteve na Cidade de Aparecida interior de São Paulo e percorreu o Santuário sabe que nas diversas salas no templo, há pessoas que percorrem deixando desde velas até peças de roupas, foto, gesso com parte do corpo e afins como prova de gratidão. A travessia entre a igreja antiga e a nova se dá por uma ponte onde não é raro ver pessoas pagando suas promessas, apesar de gerar calafrios, não se pode menosprezar a fé alheia.
Em relação as crianças a quem concorde que elas fazem de tudo e mais um pouco para que seus pais, professores e responsáveis deem aquilo que tanto as fazem perder o sono, seja desde um carrinho ou boneca comprada em lojas de R$ 1,99 a preços de perder de vista, de certa forma se elas forem obedientes isso as levará a receber alguma coisa em troca, desde cedo somos acostumados a barganhar, o que levados por uma fé, ainda que não tão religiosa, as faça focar sua vida em uma esperança ainda que tardia, como esperar o dia doze de outubro para receber um presente.
Existem alguns paralelos entre essas duas comemorações que afrontam a fé em Jesus, primeiro precisamos entender que Ele em momento algum veio a Terra para fundar uma religião e muito menos Sua estadia aqui era com intuito de curar ou prosperar as pessoas, seu único objetivo era salvar o homem perdido e restaura-lo à Deus. Segundo é preciso entender que Jesus jamais institui sua mãe ou outro membro de sua família ou discípulo como sucessor de “seu reinado”, ou como interlocutor para qualquer petição, até porque ele desfez de toda Sua Glória e tornou-se servo indo à cruz. E terceiro e não menos importante precisamos ser como criança, nisso Jesus estava referindo a inocência, mas em dias atuais o que podemos notar é uma total discrepância entre épocas e culturas que as tira de um estado de alegria e compaixão e as transporta a um mundo surreal onde as transformaram em adultas precoces, mesquinhas e arrogantes.
Se pensarmos em religião e a busca frenética pelo contato direto com Deus, todas elas sem exceção nos levarão a um estado de nirvana que será somente paliativo para saciar a sede e fome por algo terreno e casual, mas jamais satisfará nosso desejo por Ele. Se dentro de uma perspectiva infantil o que nos leva a “obedecer” é uma troca burra por algo físico, corremos o risco de vivermos a auto flagelação de nossa alma, corpo e espirito.
Esse paralelo de dois mundos extremamente diferentes, mas tão próximos levou a recuperar uma falsa crença que é só seguir algumas regras básicas que irá mudar o coração de seu “pai”, logo nossa relação entre ingenuidade e religião sem macula dá margem a uma relação abusiva, pois só nos aproximamos de nossos senhores por medo da perda ou com intuito de receber um bem.
Isso me leva a pensar em outras possibilidades, uma fé cega conduzida por uma religião que aprisiona com regras e modismos e nos impossibilita de ter uma relação afetiva com Deus. Deixou-se o Evangelho Puro e Simples por corrida a ídolos e afastou da inocência da criança e nos levou a viver uma individualidade. Quando lembro da minha infância e dessa trajetória religiosa, para alguns pode parecer absurdo, mas é a pura realidade de muita gente de minha geração, essa fé burra cheia de interpretações errôneas das Escrituras é recheada da falta de estudo e conhecimento das pessoas que preferem aceitar tudo que vem do “trono de deus” como se fosse verdade.
Homens mal intencionados levam a massa para onde quer e quanto mais carismático for, consegue impelir os mesmos a fazer tudo em nome de Deus. É só olhar a história recente da humanidade e perceber que os maiores absurdos são produzidos em nome dEle, quando jamais partiu uma ordem que fosse para manipular as pessoas, afinal o Criador não quer marionetes que abaixam a cabeça para tudo e seguem como robôs programados suas regras pré estabelecidas, muito menos deseja impor a seus filhos para que se rebelem e tenham sua infância roubada.
Para ter essa massa “burra” do seu lado os líderes não fomentam levar os seus discípulos a pensar, mas cria obstáculos dentro e fora da instituição delimitando o que ver e seguir, logo a um número sem igual de fiéis de qualquer credo religioso que não vê televisão, não vai a cinema, abomina praia e parques, impõe limites a amizades fora da igreja, e usam palavras e roupas de crente entre outras baboseiras que alienam as pessoas.
Se Cristo nos libertar verdadeiramente seremos livres, porque a cada dia estamos presos a usos e costumes e idéias de o que fazer ou não para agradar a Deus? Outro dia uma pessoa perguntou se ao chegar ao céu nós só iremos adorar? Qual a idéia que temos de adoração? Venerar e prostrar diante de um Deus? Ter reverência a um ídolo que no fundo sabemos que não fala, não escuta e não pode agir? Que fé é esta que nos constrange a fazer loucuras em nome de alguma coisa que não pode agir?
Não quero ser grosso com meus amigos católicos, mas quando Paulo diz que somos meninos na fé, todos sem exceção religiosa cometemos essas obscenidades. Há sem dúvida não só no meio católico, mas como estamos dando ênfase a eles, uma gama de pessoas que criam seus filhos com dignidade, para muitos destes uma filha estar grávida antes do casamento é uma vergonha digna de “exclusão familiar”, mas para muitos evangélicos isso é tão normal que quando um filho dá certos problemas à família é visto como prova divina, então cai no círculo vicioso da fé ignorante.
Ainda temos muito que aprender quando Jesus disse que para entrar no céu precisa tornar-se criança. Vejo meu sobrinho que com apenas um ano de idade, não sabe discernir entre o certo e errado, então comete algumas coisas que embora engraçada se não corrigir poderá crescer pensando ser normal bater no rosto de outra pessoa, chorar fazendo manha, entre outras coisas para sua idade… A criança precisa ser educada e ter acesso a todo tipo de informação que a faça crescer, pensar e buscar um equilíbrio venha evoluir como cidadão. A pessoa que segue uma religião também precisa crescer e fazer uso da educação e do pensamento para buscar esse equilíbrio, senão será objeto de manipulação de líderes sem escrúpulos.
Há muita coisa escondida por trás dos tapetes da religião, seja ela católica, protestante, budista, judaica, islâmica e outras. Para alguns líderes religiosos falar a verdade sobre seus deuses seria um perigo maior se seus súditos descobrissem que seu suposto deus não tem tanto poder assim, pois estes fiéis são como crianças inocentes que acreditam em tudo, mas escondem atrás de uma super proteção da religião que pode rebelar a qualquer momento.
Alguns padres sabem que falar a verdade sobre estes santos católicos é o mesmo que jogar balde de água fria e com isso as rendas de suas paróquias poderia minguar levando a um estado desesperador. A Igreja Católica sendo a maior detentora de riquezas no mundo usou-se da prerrogativa de representante de Deus para bolinar aquilo que não lhe pertence, não só no aspecto espiritual conduzindo cegos, mas do ponto de vista físico usando e abusando da inocência de seus fiéis, portanto não é nada fora do normal ver hoje a ICAR atolada em denúncias de crimes contra a humanidade.
“Onde esta o seu Deus? Para nós protestantes Ele esta nos céus; tudo fez, mas os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens; Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem; têm nariz, mas não cheiram”.
Mas essa não é um agravante somente das religiões que aprendemos a odiar desde pequeno e entender que são erradas, essa é uma verdade presente nas igrejas evangélicas que colocam sua liderança acima de qualquer suspeita, seus músicos viraram celebridades, e onde vão se vê uma multidão correndo para adorá-los, são os nossos postes ídolos modernos, mas semelhantes a os ídolos de gesso, têm boca, mas não falam de Jesus, preferem se auto promover; têm olhos, mas não enxergam seu próximo como irmãos, mas parceiros econômicos; têm ouvidos, mas se fazem surdos para as verdades do Evangelho, e suas narinas se acostumaram com a podridão do poder e da luxuria. Ou seja, ser criança para Adorar e Amar a Deus sem querer nada em troca, já não é uma verdade absoluta a seguir, e ter ídolos e percorrer até a cidade “santa” já não é só para os nossos amigos católicos, infelizmente a fé cristã tomou um rumo de decadência, preferimos os presentes que barganhamos com falsas promessas, juntamos uns trocados para ir a lugares cada vez mais imersos em podridão em nome de um deus transfigurado de religião que não salva ninguém nem de si mesmo.
Que neste dia doze possamos refletir que tipo de criança há dentro de nós. E lembremo-nos daquelas que ainda sofrem abusos não só da religião, mas toda sorte de maldade sexual, intolerância, desrespeito e bullying dentro e fora de casa. Que neste mês possamos ter um sentimento mais humano e pensar naqueles que estão ainda presos a uma religião cega e burra, que perderam sua inocência e deixaram Deus e vivem seguindo líderes que manipulam e maltratam em nome de si mesmos…










