Não é difícil encontrar pessoas descontentes com seu emprego. Há rotatividade constante e crescente demonstra o quanto o trabalhador esta desmotivado. Vários fatores que é preciso atentar para entender esses números, as causas mais comuns são salários, benefícios, ambiente, qualidade de vida.
Se pensar de grosso modo em casa item listado acima, veremos que essas reivindicações não são novas, mas passíveis de manifestações e greves por parte de sindicatos e ações na justiça do trabalho para que a corporação de atenção a classe trabalhadora.
Em busca de salários melhores muitos colaboradores retornam as salas de aula para aperfeiçoar seus estudos, seja com graduação, pós ou MBA, ou cursos de língua inglesa, espanhola ou o mandarim que esta em alta. Essa volta aos estudos esta intrinsecamente atrelada a melhores posições e no encaminhamento de suas carreiras. Para as pessoas que já estão inseridas no mercado de trabalho e possuem uma idade que consideram acima do ideal, buscar aperfeiçoamento e especialização é um caminho recomendado, para os mais jovens que ainda estão a procura de uma carreira específica é preciso olhar o mercado com olhos no futuro, afinal algumas carreiras tendem a ficar em segundo plano enquanto outras devem sobressair. A área de TI e medicina são sempre uma boa escolha. Um exemplo que profissões que estão quase esquecidas são de mecânicos, torneiros, pintores, domésticas, pedreiros, entre outros, profissionais desse nível estão em falta no mercado e os poucos que existem e oferecem um bom trabalho custam caro.
Benefícios é um fator que muitos levam em conta na hora de buscar nova oportunidade de trabalho, às vezes o salário não é tão recompensador, mas as empresas acabam oferecendo gratificações (bônus, PRL) vale refeição, combustível, estacionamento, vale cinema e teatro, jantar, viagem, auxilio creche, bolsa de estudos, e etc.
O Ambiente de trabalho é uma questão que vale a pena pensar e muito, em muitos casos salário e benefícios são recompensadores, mas o ambiente é ruim. São chefes que tem uma liderança opressora, coercitiva e humilhante levando seus colaboradores a sentir arrepio e medo nas tarefas, pessoas que trabalham sobre pressão acabam errando com mais freqüência. Em algumas empresas a competitividade entre os colegas é danosa e faz com que as pessoas se sintam em constante rota de colisão. O trabalho em equipe deve ser a busca em todos os setores com o intuito de agregar e estimular a criatividade e a participação coletiva. A individualidade só trás sofrimento e desgaste a empresa e poderá ser a médio e longo prazo uma causa preponderante na hora da demissão.
Aliado a essas questões podemos listar a qualidade de vida que fica altamente afetada quando o colaborador esta sentindo ameaçado em seu emprego, pois salários baixos e sem benefícios atrelados a um ambiente ruim fará que sinais sejam sentidos pelo empregador como uma baixa adesão (vestir a camisa) de seus trabalhadores. A pressão por resultados podem causar doenças como stress e ataque cardíaco. Quando a pessoa acorda e já senti desestimulada e sem animo para ir ao trabalho, chega atrasado com freqüência, reclama das tarefas, retruca com seus superiores, faz corpo mole, faz seu trabalho de qualquer jeito, entre outros são evidências que precisam ser avaliadas por ambas as partes, uma das alternativas são as férias ou mudança de setor e chefia, mas quando não há saída aparente o melhor é buscar pelo novo emprego.
Embora com suas devidas proporções e “considerações” é preciso trilhar um paralelo entre instituição religiosa e instituição “mercadológica”. Esses dois, embora distantes, caminham tão próximos que às vezes confundem até quem está inserido neles. Não é de hoje que vários blogs apologistas denunciam as práticas (in) comum daqueles que se acham superiores a seus membros.
Uma vez ouvi de um pastor amigo que a igreja consegue atrair muitas pessoas da comunidade, mas com a mesma proporção as afastam, é preciso rever conceitos e modelos aplicados a gestão com o intuito de entrelaçar os relacionamentos e introduzir qualidade de vida às pessoas.
Tenho percebido nos últimos anos uma crescente “tsunami” evangélica seja através da mídia que viu um nicho para explorar e ganhar dinheiro ou de pseudo pastores que barateiam o evangelho os moldando a estilos de vida diversos com a tese de atrair as multidões.
As igrejas que mais crescem no Brasil são as correntes teológicas que tem aflorado em nosso meio, através da prosperidade e do céu na terra, com homens com seus super poderes, determinando e colocando “deus” na parede para que os milagres se tornem real na vida das pessoas.
Enquanto isso, igrejas sérias e com ensino correto, tem visto seus membros migrarem de seus bancos, sendo até constrangedor ver igrejas com capacidade para 100, 200, 500 ou mais membros, totalmente vazias. São os “gatos pingados” que vão à igreja, por que muitos têm dado preferência a outras programações.
Agora refletindo nesse quadro desolador, e tendo como base o caminho corporativo, os reflexos bem visíveis na maioria dos membros dessas igrejas são latentes. Mas com discernimento e coerência se vê o que as pessoas fingem ou insistem não dar atenção.
Ora se no mundo corporativo encontram-se pessoas descontentes não é diferente na igreja. Infelizmente alguns líderes não conseguem enxergar essa realidade e preferem chamá-las de oportunistas ou sem fé, Não querem botar a mão na massa e se envolver com as mazelas alheias, fica nas plataformas sem nenhum vínculo pastoral.
Os mesmos fatores que falamos o início são possíveis enxergar aqui. Por mais estranho que possa parecer, a igreja precisa proporcionar qualidade de vida a seus membros. Não sei como você entende isso, mas não falo somente em divertimento, olhar a igreja como um entretenimento onde você pode fazer o que quiser e ir quando puder. Mas mesmo espiritualmente é dar as pessoas uma dose de alegria, paz, conforto, felicidade. Em alguns lugares só se falam em regras e dogmas que afasta pessoas boas de nosso convívio, não digo que essas coisas precisam, mas tudo com equilíbrio.
Por outro lado algumas pessoas pensam que igreja é um clube social que podem ir à hora que quiserem e que sua liderança é obrigada a servir o “menu” oferecendo todo tipo de comida que lhe apraz.
São pessoas que podemos ligar a cargos e salários, benefícios e ambiente. Ter um olhar crítico é fundamental para entender isso. Infelizmente a igreja tem sido um cabide de emprego para pessoas mal intencionadas, elas querem cargos que lhe ofereçam status, poder e salário, a igreja não pode ser vista como trampolim para carreira ministerial. “Aquele que quer ser senhor que primeiro seja servo”, ou seja, precisamos de líderes-servos, que doem suas vidas em favor do reino, que vejam em seus irmãos como superiores a si, alguns “ministros de louvor” pensam que por tocarem e cantarem a igreja irá sempre precisar deles, então chantageiam para benefício próprio, não podemos ceder à pressão. Outros não estudam e pensam que podem da noite para o dia “virar” pastor, ou aqueles que são bons diáconos e estão de olho no presbitério ou pastoreio como forma de reconhecimento. No Reino não há carreira, só é preciso atentar a pastores que abrem mão de suas carreiras para ser integralmente no ministério, a esses é preciso oferecer, casa, carro e salário, mas dentro das possibilidades de cada congregação.
Outra coisa que atrai crente são os benefícios, não é de hoje que as multidões correm atrás das bênçãos, desde os dias de Jesus essa prática era “normal” e rotineira. Quando não se oferece esse algo a mais as pessoas se vêem na obrigação de ir par outra que dêem esses atrativos, igrejas neo pentecostais são a mira dessa nova febre. Afinal nesses lugares os milagres acontecem a granel, como diz outro pastor, e segundo essa liderança são sinais de que “deus” esta operando.
O ambiente é talvez o que mais precisamos trabalhar para que seja agradável, seja em qualquer lugar, algumas igrejas por ter um número considerável de membros, não oferecem a todos o acesso à liderança e mal conhecem a pessoa que senta a seu lado. As igrejas menores, onde todos se conhecem é possível ter discordâncias em relação a diversos assuntos, mas é preciso dar atenção a todos, ter bom ouvido para os mais necessitados e interagir com todos independentes de posição social, sexo e raça, afinal as adversidades precisam dar lugar a comunhão. Um ambiente agradável produz alegria, confiança, amizade e irá refletir não só no relacionamento como também no momento de culto.
Falar disso pode até ser estranho, mas um ambiente onde a fofoca, o individualismo, a esperteza, a parcialidade, a intolerância, a rigidez, entre outros, não fica bem na igreja de Jesus. E nisso a qualidade de vida será péssima.
Não sou favorável a ficar refém de ninguém. A igreja precisa pregar o Evangelho e praticar as escrituras, porém precisa falar a mesma língua que seus membros. Em alguns casos, só a vontade da liderança se faz valer, e as pessoas precisam seguir a risca todo o cronograma. É preciso interação entre as partes para diminuir a rotatividade dentro dos templos.
É perceptível a gama de pessoas descontentes com seus pastores, líderes e igreja, o reflexo disso se dá nas atividades e nos cultos da congregação. Pessoas desmotivadas que emitem sinais de suas decepções e frustrações. Algumas dessas possuem um potencial acima da média, mas ficam as margens de suas incompreensões narcisistas, apontando os erros e defeitos dos outros, mas incapaz de fazer um retrospecto interior de suas vidas.
È tempo de ter um olhar critico contra nós mesmos e entender que somos cooperadores nessa empreitada, é vestir a camisa e doar dons e talentos para que outros possam ser beneficiados, pois quando todos pensam nessa direção, uma hora seremos alcançados pelo mesmo amor e misericórdia.
Assim como nas empresas é possível sair e procurar outros ares, na instituição isso também é valido, mas até onde temos nos engajado na procura por Deus e pelo amor mútuo? Às vezes sair é só uma fuga. E quando me deparo com essa situação (particularmente já mudei de igreja por 3 vezes, ou seja, sai da OBPC – São Mateus, fui pra Batista e depois pra OBPC – Conquista, por fim retornei a São Mateus), penso que alguns fatores ajudam a tomar tal atitude, mas por experiência, eu sei que vale a pena ficar e lutar por mudanças, mesmo que seja como pequena brasa que ao contagiar outros poderá a seu tempo dar frutos.
Seja qual for sua decisão, saiba que às vezes nós estamos nos sentindo tão fraco que colocamos a culpa por nossas frustrações em terceiros. As por outro lado como lideranças precisamos rever conceitos e buscar entender os motivos que fazem essa rotatividade crescer a cada dia, pois a saída dessas pessoas esta atrelada a ondas teológicas sem fundamento bíblico ou se nossa congregação não esta fora dos padrões cristãos?
Mas penso que é preciso ter um olhar misericordioso e amoroso para com essas pessoas que, por um tempo, se sentem desmotivadas por alguma razão, pois precisam ser acolhidas e aceitas pela graça. Que possamos ser um instrumento de Deus para contagiar outros…




