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Um Exemplo de liderança que precisamos seguir…

Faz algum tempo que venho estudando os evangelhos, em especial Joao 13 – 17, primeiro porque estou em um grupo de discipulado e segundo que tenho buscado aprender com o Mestre os caminhos da liderança que fez dele um expert no assunto. Não tem como falar em treinamento e desenvolvimento de pessoas se não ter um olhar atencioso ao escritos bíblicos.

O mundo corporativo descobriu no meio religioso algumas ferramentas que possibilite dar um “UP” a carreira de muitos profissionais, gente boa e talentosa que não sabe trabalhar em equipe. Nessa direção o mundo esta caminhando cada vez mais rápido em direção de um futuro que já começou. Há alguns anos se ouvia falar que o Brasil seria a nação do futuro e uma locomotiva que carregaria nas costas tantas outras nações. Hoje fazemos parte do BRICS (Brasil, Rússia, Índia e China) que embora emergentes tenham crescido a passos largos levando consigo um crescimento econômico em meio a uma crise internacional de proporções enormes.

Dentro dessa perspectiva podemos pontuar três nichos de gerações que vêm encontrando e transformando o mundo, rompendo com o passado e inovando com tecnologia, profissionalismo e competência.

A primeira geração é a X (década de 60 e 80):

1. Viver em grupo sem perder sua individualidade;
2. Maturidade;
3. Valorização do sexo oposto;
4. Procura de liberdade.

A segunda geração é a Y (década de 80 a 2000):

1. Procuram rapidez nas informações;
2. Estão conectados ao mundo;
3. Adeptos da tecnologia;
4. São multi atarefados (conseguem realizar diversas atividades ao mesmo tempo).

A terceira geração é a Z (emergiu na década de 90 em diante):

1. Adeptos da tecnologia;
2. Vivem no mundo virtual em vez do real;
3. Preocupados com o meio ambiente.

Um diferencial entre as três gerações que vivem em constante conflito de interesses, é que a primeira (X) estava engajada em ideais comunitários que visa valorizar a vida e o próximo, as gerações seguintes (y e Z) são individualistas, embora competentes, preferem seu mundo virtual e sua alta capacidade de enfrentar seus problemas sozinhos. Com isso, acabam vivendo isolados, a mercê de uma realidade que os afundam em um mundo virtual e catastrófico, comprometendo a raça humana no que diz a uma convivência pacífica e racional.

Jesus e seus discípulos parecem andar na contramão do sistema, na verdade eles são subversivos, mas em momento algum eles deixam de lado as verdades da escritura. Comparando aquele tempo e de hoje, é perceptível uma realidade utópica que queremos viver, falamos de princípios eternos, mas corremos em direção contraria.

Com esse quadro pintado, podemos perceber que líderes cristãos com destaque na mídia, busquem dentro e fora da instituição se firmar como “a última voz profética da nação”. O que causa frisson por onde passam por serem pessoas carismáticas e possuidoras de um poder divino capaz de manipular suas ovelhas.

Quando penso na instituição e nos seus postulantes a cargos ministeriais me preocupo, até porque temos poucos homens sérios nessa nação que não buscam os holofotes, mas através de suas vidas transmitirem um evangelho sem maquinações. O que vejo também é um exagero por parte de alguns que por zelo pelas coisas sagradas ou por si mesmo, acabam subestimando aqueles que são contra algumas de suas ordenanças, os ridicularizando e excluindo do seu círculo de amizade.

Quando penso nessa geração individualista que é permissiva e avassaladora, que passa por cima dos direitos humanos, com o intuito de se firmar na sociedade, para não ser mais um na multidão. Em contrapartida uma liderança mal preparada, onde busca seu bel prazer e se comporta como semideuses. Consigo ouvir a voz do Mestre ensinando com palavras e atitudes que é preciso amar sem distinção de raça, cor, status e etc.

Gostaria de compartilhar uma reflexão simples sobre liderança com o intuito de servir uns aos outros em amor, deixar como legado que nós somos uma igreja de diáconos, ou seja, uma igreja de serviços, que ama servir e doar seus dons e talentos para que nosso próximo possa saber com atitudes o que Jesus experimentou com os seus discípulos há tanto tempo atrás.

Uma liderança só obtém êxito quando ela visualiza as pessoas.

Mateus 5: 1 – 10: E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”.

Jesus começa esboçar seu estudo com algumas características que hoje podem soar como estranha no meio evangélico, é claro que qualquer pessoa em sã consciência dirá que não quer ser pobre. A teologia predominante é que todos podem adquirir riquezas, aliado a isso o governo tem impulsionado as classes menos favorecidas a crescer economicamente.

Temos uma impressão errada ao pensar que os ricos não têm problemas, mas há um número grande de pessoas com posses que vivem em depressão, frustradas e em crises familiares. Por outro lado, pessoas com riquezas ou com poder em suas mãos acabam se tornando orgulhosas e opressoras. Pense em alguém, talvez você conheça, quando “pobre” era uma pessoa simples e comunicativa, mas após sua ascensão econômica se tornou arrogante e prepotente, deixando seus antigos amigos e familiares e se envolvendo com pessoas da alta classe.

Não quero fazer apologia à pobreza ou riqueza, mas quando Jesus diz que os pobres de espirito serão bem sucedidos é porque pessoas assim são as simples, que abrem mão de vontades próprias para que outro se sinta bem. Jesus em momento algum foi arrogante ou pretencioso com o governo ou com seus opositores, mas com simplicidade Ele manifestou a glória de Deus a todas as pessoas, independente de sua classe social.

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”.

Você já deve ter a oportunidade de estar com alguém que esteja chorando ou até passado por momentos que o choro era a única maneira de expressar seus sentimentos mais ocultos. É extremamente difícil controlar-se diante de alguém que esteja sofrendo. Se você se deparar com um amigo, parente ou algum desconhecido, sem dúvida ira se sensibilizar com a dor. É fato que quando alguém ganha uma medalha ou você vai a um casamento fica tocado ao ver a felicidade do seu próximo. É da natureza humana se compadecer e chorar com o sofrimento ou alegria de alguém diante de uma situação. Jesus vem dizendo que aqueles que choram serão consolados.

E nós precisamos encarnar o choro de nosso próximo e saber lidar com as dificuldades e asperezas da vida. Não tem como falar que sentimos muito a dor de alguém se nossas atitudes mostram o contrário. Em uma sociedade cada vez mais individualista e capitalista que visa o dinheiro e o sucesso pessoal, não há lugar para derrotados, fracos e chorosos, mas veja que o Senhor não nos chamou para uma vida comum e igual a todos, mas uma vida em excelência que possa levar um abraço amigo para os que choram suas dores mais amargas.

“Bem aventurados os humildes, porque eles herdarão a terra”.

É extremamente difícil admitir a humildade, parece que virou sinônimo de fragilidade. Infelizmente as pessoas tem o péssimo hábito de pensar que ser humilde é sinal de fraqueza. No mundo atual o que vale é ser o “mandão”, o machão do tipo “sou crente, mas não sou otário”. Tem horas que precisamos ceder para ganhar. Tem momentos que são oportunidades únicas para nosso crescimento, sem falar que a arrogância não leva ninguém a lugar algum. Quando Jesus disse que os humildes herdarão a terra, é fácil entender porque os brutamontes e encrenqueiros tem vida curta. Ele nos deixou exemplo de viver em humildade, em momento algum Ele agiu com violência, mesmo quando os soldados foram prendê-lo e Pedro arrancou a orelha de um deles, Jesus reprovou o ato. A história conta que Gandhi começou uma greve de fome contra o regime que oprimia seu país, seus seguidores incentivaram-no a pegar em armas, mas ele acreditava na verdade e não violência. Quantas amizades e casamentos que tem tudo para dar certo acabam ruindo ao primeiro sinal de arrogância e violência, falta reconhecer que somos dependentes uns dos outros.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”.

É só sabermos de um acontecimento que envolva nossas emoções que queremos proferir um (pré) julgamento dos fatos, no calor das notícias sentimos juízes capazes de condenar e absolver um desconhecido, sem ao menos entender os motivos e a situação que culminou no incidente. E se por algum motivo, os envolvidos sejam pessoas próximas ou familiares, nosso sentimento fica aguçado a ponto de destruir a amizade ou defender nosso parente mesmo sendo ele errado. Nosso senso de justiça deixa a desejar e por diversos motivos e circunstâncias mudamos nossa maneira de ver as coisas. Quando agimos com justiça é possível que levemos prejuízo, mas quando o intento é se dá bem seremos injustos até com nossos amigos e familiares. Isso é notório em um relacionamento onde um dos namorados subjuga o outro e explora seus sentimentos para obter vantagem. Quando se age com justiça o senso de equilíbrio e sensatez se faz presente dando segurança a quem o segue. Jesus provou isso quando falou que não veio para abolir a lei, mas para cumpri-la. Lembra-se dos impostos que Ele pagou e incentivou seus discípulos a fazer o mesmo? Ou quando foi surpreendido com a mulher adúltera?

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”.

Nós que vivemos em cidade grande, por todo momento somos surpreendidos com pessoas pedindo esmolas ou por um grito de socorro na calada da noite. Infelizmente a violência nos reprime e acabamos nos acovardando e não atendendo a pessoas que precisam de ajuda.

A misericórdia é um sentimento de compaixão pela dor do outro. Infelizmente as pessoas só são misericordiosas com aqueles que são com ela. É preciso ter compaixão pelas pessoas e trata-las como tal. Muitos olham para seu próximo como número ou guetos, tipo aquela pessoa se veste de tal forma igual a tal grupo, como não sou daquele grupo, ela não merece minha atenção. Podemos enfatizar aqui o perdão, por mais doloroso que seja perdoar, devemos fazê-lo, afinal perdão não é sentimento, mas mandamento de Deus. Quantas pessoas feridas e amarguradas porque não são misericordiosos, foram marcadas por amigos e familiares com palavras ou ações que os angustiaram e ficam anos sem perdoar. Quando agimos com misericórdia, vamos de encontro com o que o Mestre ensinou, de amar sem reservas ou limites, não significa que vamos ficar tapados e ignorar os erros das pessoas, mas confronta-las em amor e agir com compaixão.

Isso também reflete em casos de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza, em regiões onde as necessidades básicas não são atendidas pelo governo. Madre Tereza do Calcutá (Católica) serviu a crianças abandonadas, aidéticos, mulheres que foram abusadas e engravidaram, leprosos entre outros. John Leonard Dober (artesão) e David Nitschman (carpinteiro) eram pastores que se venderam como escravos para atender ao chamado de levar o evangelho a um povo não alcançado. (A história nos mostra que suas palavras finais deram letra a música de Cindy Ruakere “Receive” Que o Cordeiro Receba).

“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”.

Essa geração de crentes nominais tem mostrado sua fragilidade. Todos querem ver Deus, cantamos e invocamos sua presença, mas poucos querem de fato morrer para si mesmo. Em meio a toda essa inovação tecnológica e cultural, o sinal de pureza ficou obsoleto, até alguns anos atrás a garota se preservava porque sabia que ser pura para seu futuro marido era uma honra e orgulho para sua família.

Pense em algo valioso, talvez uma pedra de diamante que para ter valor, precisa de um certificado que justifique sua procedência. Para nós cristãos, precisamos abster (privar) de uma vida de pecado, e quando falhamos Jesus é quem nos justifica. A justificação nos leva a verdade. E quando confrontados com a verdade (Jesus) não há imposição, medos e traumas, o Senhor nos acolhe, nos purifica e santifica.

O Mestre demostrou com Judas, em momento algum ele foi indiferente mesmo sabendo das intenções de Judas, confiou nele como tesoureiro. Infelizmente seu coração estava endurecido demais para voltar-se a Deus, sua ambição o levou a morte. Quantas vezes estamos tão perto do Senhor, mas nossas intenções maldosas nos impedem de vê-Lo.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.

Quantos de nós protagonizamos um conflito. Seja escolar, familiar ou profissional, eu até estenderia isso a conflitos de fé. Afinal em algum momento vamos externar sentimentos e pensamentos que não irá agradar nosso próximo e isso poderá gerar uma barreira que com o passar do tempo pode afastar as pessoas que mais amamos.

Talvez você tenha visto em filme ou pessoalmente um negociador que se coloca para mediar uma ação conflituosa. Esta pessoa precisa ser habilidosa para não deixar escapar um gesto ou palavra que coloque a situação que já é ruim em algo sem um final feliz. Jesus é um pacificador, Ele mesmo disse que deixava a Sua paz, algo que o mundo não conseguia visualizar. Em momento algum você percebe nEle a figura de um incentivador de rebeliões, ou instruía seus discípulos para pegar em armas. O pacificador é visto e reconhecido como alguém que consegue lidar com diferentes ambientes e pessoas e resolver problemas.

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”.

Toda perseguição é dolorosa, seja para quem persegue ou para quem é perseguido, pois coloca em xeque a sua capacidade física em frente à situação. Quem gostaria de ser perseguido? A implicação disso é sofrimento, mas por outro lado indica a luta por uma causa justa. O Brasil viveu alguns anos de perseguição do Regime Militar, muitos compatriotas foram expulsos ou mortos injustamente. Em outras nações, alguns regimes autoritários perseguem todo tipo de gente para que a causa pessoal de um ditador sobressaia.

Não é diferente a perseguição que cristãos sofrem por professarem uma fé diferente em países islâmicos, budistas e hindus. A história recente mostra Youcef Nadarkhani condenado à morte por enforcamento por ser cristão no Irã. O Pr. Martin Luther King sofreu discriminação nos Estados Unidos pela luta incansável pela justiça em favor de seu povo. Quando há um reconhecimento da perseguição sem causa, é valido porque isso mostra que a pessoa esta no caminho certo. O próprio Jesus foi perseguido pelos religiosos e levado a cruz sob acusação de incitar a ordem e querer se tornar o rei dos judeus, mas certo de sua missão.

Conclusão

Jesus ao discursar no Sermão do Monte queria trazer a memória de seus discípulos a rotina diária que ele expressou com palavras e atitudes. Ao negar a Si mesmo em favor do próximo, ao relacionar com as pessoas esquecidas e não queridas, pessoas renegadas a própria sorte.

Acredito que precisamos ter esse mesmo sentimento de doar ao próximo. O mestre permaneceu imutável, sem alterações ou variações, não agia conforme as circunstâncias ou pessoas, não era arrogante ou prepotente com os grandes e pequenos, chorava a dor dos aflitos e doentes, era humilde para com todos, era justo sem medo de ser retaliado, sempre misericordioso e amável, puro em seus relacionamentos, buscava a paz em todo tempo e por fim mesmo sendo perseguido não abandonou sua missão, mas foi até o fim, sendo morto em uma cruz.

O que vemos hoje é uma geração tão individualista que busca atender prazeres próprios, são jovens talentosos que ao tornarem-se líderes terão problemas sérios de relacionamentos. Poucas pessoas são líderes e servos como Jesus, capazes de compadecer com as pessoas, liderar é uma arte, é dar o ombro para apanhar e buscar alternativas e “tirar da cartola” ferramentas que vão possibilitar o crescimento de alguém.

Jesus treinou e desenvolveu pessoas para vida. Ele deixou exemplos claros de como posicionar diante das adversidades. Foi companheiro, amigo, justo, etc… Ele não ficava só na teoria, mas sua praticidade levou pessoas a segui-Lo. Não importa a época que nascemos, se somos vistos como geração X, Y ou Z, o que importa é como vemos o mundo e como compartilhamos da verdade do evangelho com nosso próximo.

Nem sempre ser carismático ou empreendedor significa que temos o grupo na mão. As pessoas vão querer nos seguir e ouvir nossos concelhos quando ver em nós exemplos claros de que lideramos melhor quando servimos as pessoas, quando importamos com elas e queremos seu bem. Jesus é um exemplo a seguir. Ele amou até o fim, ele serviu porque acreditava em uma missão. Seu foco não era temporal, muito menos passageiro. Ele sabia que pessoas são falhas, mas mesmo assim decidiu amar e ir até o fim… Por amor por mim… e por você.