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Porque os crentes falam tanto em dinheiro?

Introdução

Há algum tempo falar em prosperidade nas igrejas deixou de ser novidade, seja a favor ou contra, as pessoas tem uma opinião bem formada a respeito, é claro que ao longo da vida é possível mudar a forma de pensar, mas de forma geral o tema é tão extenso que tem gerado uma discussão, frustração e distúrbios psicológicos em muita gente.

Falando nisso, o número de cristãos que vão à busca de tratamento da mente e alma, tem atingido níveis altos, a ponto de mais de 60% dos internados em clínicas para tratamento psicológico são oriundos de famílias cristãs.

Ao contrário que muita gente pensa, o sucesso e a fama não estão intrinsecamente ligados. É possível ter sucesso na vida sem ser famoso, assim como é possível ter fama ser ter sucesso. Em várias ocasiões a fama trás consigo situações tão amargas que por vezes um “pop star” após alcançar o auge resolve largar tudo e ter uma vida simples. Mas a maioria das pessoas só percebe isso quando está refém da situação.

Pensando exclusivamente na questão financeira, muita gente honesta leva uma vida inteira para conseguir juntar uma boa quantia, outras buscam atalhos e por esses caminhos alternativos e curtos (roubo/ furto) fazem sua plataforma de vida, não obstante muitos evangélicos são induzidos nesta direção, através de mensagens positivas (tudo posso). Frutos de um modelo capitalista onde o lucro é sempre um objetivo a serem alcançados, falsos líderes e pastores conseguem iludir seus membros a doarem parte ou todo salário ao reino (próprio).

Como existe muita polêmica em torno do assunto, os defensores da teologia da prosperidade chegam a afirmar que ter riquezas é um dom e quem não às possui estão em pecado, esse ufanismo chega à beira da loucura, já que em outros tempos, o rico era mal visto em igrejas cristãs, principalmente as pentecostais, pois o evangelho era “coisa” para pobres.

Esse conceito que não é tão novo é uma forma barateada e manjada no meio secular, onde bons cidadãos optam em não freqüentar os cultos, com medo de serem vítimas de lavagem cerebral, e deixam de ter um encontro real com Deus (não estou dizendo em G12 e as invencionices gospel) para continuarem perdidas e separadas do Criador.

Por outro lado, há uma parcela considerável, que em busca desse sucesso instantâneo migram de religião e denominação em busca de sua terra prometida, e, diga-se de passagem, uma terra que “mana leite e mel”, mas muito diferente a promessa de Jeová a Moisés, nisso poucas pessoas tem a mesma compreensão do “Príncipe do Egito” que estando próximo de entrar na Canaã terrena, abdicou para estar com Deus na Canaã Celestial, porque entendia que a promessa não era limitada a esta vida, mas vivendo na eternidade usufruiria de algo mais excelente.

Mercado Financeiro versus Mercado Religioso

Analisando o mercado global, com olhos especiais sobre o nosso, é perceptível a corrida que famílias de baixa renda fazem em busca de uma posição melhor, isso não é errado, pelo contrário penso que todos têm seu lugar ao sol, desde que seja com honestidade e hombridade, mas aqueles que deveriam ser um exemplo de respeito são os primeiros a “meter” a mão no dinheiro alheio, são políticos e empresários que fazem falcatruas e favorecem os seus, levando as riquezas da nação a paraísos fiscais, não obstante o governo tem uma política econômica ineficaz, onde a redução de juros e uma política fiscal são redundantes e leva a sonegação de impostos.

Quando menciono o mercado brasileiro onde é criado condições para o crescimento, é preciso entender que as bases são fundamentais para a continuidade. Ora se quero obter um cargo acima do atual preciso planejar e observar algumas condições fundamentais:

Ensino: O foco onde quero estar requer de mim uma base estudantil, o mercado não esta engessado e a mão de obra especializada é escassa. As empresas precisam de pessoas com perfil generalista (faz tudo), competente, pró-ativo, que domine a língua nativa e tenha bons conhecimentos em outra (inglês/ espanhol), graduado e de preferência pós graduado ou MBA.

Carreira: Ter um foco. A maioria das pessoas não sabe onde querem chegar, não são capazes de planejar os próximos cinco, dez ou quinze anos de sua vida, isso é perceptível na estrutura previdenciária do país, onde a maioria não tem um plano de previdência complementar. Uma analise rápida de currículos se vê que as pessoas ao falar em objetivo são confusas, ou seja, qualquer coisa serve.

Mercado: O mercado brasileiro esta em crescimento e volátil, logo algumas ações presentes requer cuidados, uma profissão em alta hoje pode ser descartada no futuro.

Há anos seguimos os mesmos moldes americanos, seja na economia, música, política, alimentação, religião, etc, o sucesso do “Tio Sam” é evidente e grandes corporações americanas se expandem além das fronteiras. Não é diferente na religião. Importamos de lá muitos conceitos de fé que não tem base bíblica, ferindo nossa compreensão teológica.

Esse novo velho estilo foge das escrituras e poucas pessoas têm o discernimento para saber se é correto ou não, e se lançam de cabeça em invencionices tolas, causando divisões no meio da igreja, promovendo a discórdia e afastando o perdido.

Paulo nos orienta em Timóteo 6.10 “o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males, e nessa cobiça alguns se desviaram da fé”.

A má administração do dinheiro ocasiona vários males, além dos rombos financeiros, das altas taxas de juros e o nome sujo, a saúde fica fragilizada quando há mais débitos do que créditos na praça. Pode-se classificar em três classes distintas de pessoas que têm dinheiro:

1) Aqueles que trabalham e com seu esforço e suor vão fazendo sua poupança financeira;
2) Os que furtam/ roubam através de golpes, corrupções, assalto;
3) E aqueles que ganham através de jogos de azar, reality show e afins.

Embora a população em sua maioria pertença a primeira classe, especialistas econômicos chegam a afirmar que existe uma tendência perene junto a famílias afortunadas que precisam ser analisadas e entendidas, principalmente para quem pretende arrecadar um valor que possa garantir seu futuro e de sua família por gerações.

Uma pesquisa recente mostra que em alguns desses casos uma riqueza familiar tende a ficar por três gerações (na pior da hipótese), segundo o raciocínio proposto, um homem de meia idade que lança um empreendimento, leva alguns anos para vê-lo consistente no mercado, seu filho que acompanhou todo o processo, os riscos e as implicações do pai, e prosseguiu na mesma linha de pensamento conseguiu avançar frente ao mercado, fez ajustes e consolidou a marca junto aos consumidores, seu lucro foi expressivo e ele “fez” dinheiro. Mas seu filho (neto do empreendedor) não passou por esse processo, seu pai, pensou que seria interessante ele curtir a vida e estudar e jogar vídeo game, este filho em vez de estudos preferiu as baladas e festas com amigos, gastando o dinheiro suado que seu avô e pai batalharam durante anos. Agora ele se vê diante de uma crise, seu avô faleceu e seu pai não se encontra em condições para continuar os negócios da família, sendo assim, ele não tem estratégias para gerir o negócio e as poucas vendas já refletem no orçamento da empresa, que dá sinais de queda vertiginosa. A tendência natural é que seu filho (bisneto) venha nascer e nunca provar “o sabor do dinheiro”, logo a empresa familiar que começou com o esforço e sonho de um homem, chegará às gerações futuras com a sensação de ter visto o dinheiro cair entre os dedos. É possível que seu bisneto conte só com o sobrenome, ou que um ou outro consumidor ligará a marca construída no passado.

Como mencionei a prosperidade da forma que é vista nos dias atuais causa polêmica e constrangimento, quando algum meio de comunicação secular ou não, relata que um líder desviou verbas de fiéis, o que se vê é um número considerável de pessoas defenderem seus “ídolos” com frases clássicas: “não toquem no ungido do Senhor ou essa pessoa (blog) não tem ética”. Em relação a julgamento, às vezes a questão torna-se subjetiva, pois temos que ter discernimento sobre toda ação, quando uma liderança usa de sua posição para angariar benefícios próprios é preciso lidar com racionalidade, exemplo se a prática é rotineira e prejudica um grupo, precisa-se admoestar a pessoa e na reincidência levar ao conhecimento de outras testemunhas, mas jamais ser conivente com erro alheio, deixar a causa só para “as mãos de Deus” como alguns dizem é limitar-se a ter entendimento e juízo do bem comum, se esta fazendo mal a comunidade cabe sim as pessoas envolvidas tomarem partido no imbróglio. Por outro lado ser ético não quer dizer que devemos nos calar diante de qualquer atividade que cause danos a terceiros.

Ética: É um conjunto de códigos morais com o intuito de reger a conduta de membros de uma determinada comunidade, orientando e garantindo a integridade do grupo e o bem estar do individuo, pode-se conceituar também como uma disciplina crítico-normativo onde estuda as normas do comportamento humano.

Talvez as inúmeras traduções bíblicas colaborem com a confusão teológica que estamos vivendo, e aquilo que é Absoluto (Palavra) torna-se subjetivo, colocando em xeque a eficácia do Evangelho e respinga sobre uma liderança séria que efetivamente instrui seus membros, sendo assim, é um erro falar que todos os pastores são ladrões, bem como preconceituoso externar que todo crente passou por uma lavagem cerebral.

Quando se fala em dinheiro acende uma luz nos olhos das pessoas, há até um apresentador que brinca com a situação “quem quer dinheiroooo”, em busca de dias melhores, pessoas de todas as raças, idades e nível cultural, entram em barca furada, depois da decepção acabam transferindo sua raiva e desconforto em Deus. Cabe então um conselho “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e de onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam e nem roubam”. (Mateus 6: 19-20).

Muita gente quer ganhar dinheiro fácil, poucos são os que querem trabalhar e viver sua vida numa boa, alguns optam pelo roubo/ furto, outros prostituem seus corpos, e há aqueles que vendem sua alma para adquirir bens. Em relação a essa ação é só fazer uma busca rápida que vão procurar várias palestras e cursos que ensinam como ser próspero.

O Universo Místico tem invadido as instituições

Até um tempo atrás se dizia que o apego ao dinheiro era errado, mas tem ocorrido uma inversão de valores, logo a crença que é possível e positivo obter dinheiro. Essa crença positiva afirma “O dinheiro esta disponível a todos”, isso nos dá a sensação que todos, sem exceção podem ser prósperos. A crença proativa como é conhecida ainda fala que através dos dons e do merecimento é que o dinheiro vem. Para os adeptos há três princípios a ser seguido:

• Descoberta das crenças existentes e não positivas;
• Transformação das crenças negativas em positivas;
• Implantação das crenças positivas.

Isso é interessante e intrigante, afinal os adeptos da teologia da prosperidade inseriram em seus discursos o positivismo como pratica de fé. Esse modismo surgiu nos EUA e depois de ver suas rendas caírem, os tele evangelistas em nome de Mamon começaram a olhar outros horizontes. Sendo assim, nosso país tem sido alvo da esperteza de alguns homens mal intencionados, com sua vinda trouxeram todo tipo de enlatado com o intuito de oferecer “o melhor de Deus” ao homem.

Esse pensamento positivo esta implantado em várias mensagens cristãs, onde tudo pode, colocando Deus na parede e obrigando Ele a fazer nossas vontades. Essa teologia foi tão bem difundida que especialistas chegam a afirmar que a crise americana que começou em 2001, com o furo da “bolha da internet”, foi oriunda de investimentos e busca de crédito fácil da classe evangélica.
O estopim para que os defensores desse pensamento econômico e catastrófico ganhassem força está na ênfase que pastores e líderes de diversos seguimentos e denominações americanas focam na vida financeira de seus membros.

A crise em terras americanas fez com que Alan Grenspan, presidente da Reserva Federal Americana, com o intuito de proteger os investidores, orientasse os investidores a respeito do setor imobiliário. Segundo ele, as taxas de juros em baixa e as reduções de despesas financeiras induzem os intermediários financeiros e imobiliários a incitar uma clientela cada vez maior a investir em imóveis. A procura da Fannie Mãe e Freddie Mac, já era uma crescente bem antes através de diferentes governos e políticos americanos, incitando as classes mais pobres a financiar seus imóveis. O governo por sua vez, garantia os investimentos feitos por essas duas empresas. Bancos de diversas nacionalidades, atraídos por garantias governamentais, acabaram emprestando dinheiro a imobiliárias através dessas mesmas empresas, que estavam autorizadas a captar empréstimos em qualquer parte do mundo.

Assim foi criado o sistema das hipotecas subprimes (Subprimes são créditos bancários de alto risco, que incluem desde empréstimos hipotecários até cartões de créditos e aluguéis de carros, eram concedidos, nos Estados Unidos, a clientes sem comprovação de renda e com histórico ruim de crédito — a chamada clientela subprime), empréstimos hipotecários de alto risco e de taxa variável concedidos às famílias consideradas “fragilizadas” economicamente. Segundo os economistas, estes clientes apelidados de “ninja” (sem renda, sem emprego e sem patrimônio). Essas casas eram financiadas através de emissão de cartões de crédito, concedidos a famílias que de antemão os bancos já sabiam não ter renda suficiente para arcar com suas prestações.

O próximo passo os bancos criaram derivativos negociáveis no mercado financeiro, com ferramentas sofisticadas para “securitizar” (Securitização (do inglês securitization) é uma prática financeira que consiste em agrupar vários tipos de ativos financeiros (notadamente títulos de crédito tais como faturas emitidas e ainda não pagas, dívidas referentes a empréstimos e outros), convertendo-os em títulos padronizados negociáveis no mercado de capitais), ou seja, transformar esses títulos livremente negociáveis, repassando a outras instituições financeiras, bancos, companhias de seguros e etc. O que é difícil de acreditar que esses títulos receberam estranhamente a chancela AAA (a mais alta) por agências mundiais de crédito.

Quando o Reserve Federal, em meados de 2005, resolveu aumentar a taxa básica de juros com o intuito de conter a inflação, desregulou-se a máquina, os preços dos imóveis caíram, o que faz com que os clientes que mantinham um financiamento ficassem inadimplentes, esse efeito em massa fez com que os títulos derivativos se tornassem inegociáveis, o efeito em cascata afetou o sistema bancário internacional em agosto de 2007.

Talvez para você falar em economia em artigo que visa exclusivamente religião possa parecer extremamente desnecessário, mas peço que continue lendo, pois o mercado brasileiro não esta imune a esta avalanche. Para a jornalista Hanna Rosin, milhões de adeptos da teologia da prosperidade podem ter influenciado o problema no mercado financeiro, ocasionando a crise econômica entre 2008-2009, para ela ignorar fatores como salários por hora e extrato de conta bancária, com suas causas e efeitos, foi o estopim que gerou tanto desconforto, não podendo creditar somente aos “milagres financeiros e a idéia de que o dinheiro é uma substância mágica que vem como um dom celestial” (Did Christianity Cause the Crash. Hanna Rosin, December 2009).

PROSPERIDADE A LUZ DA BIBLIA

Alguns nomes reconhecidos por defender o Evangelho Puro e Simples depois de algum tempo resolveram se aliar a esta mensagem e tem propagado que Deus quer que seus filhos sejam prósperos, o que antigamente era difundido que o rico não era digno de entrar no céu, baseado no texto de Marcos 10.25 “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus”, com esse argumento pastores não evangelizavam os mais ricos com o pretexto que pobreza era sinal de humildade e santidade.

Mas os tempos modernos trouxeram novas revelações, afinal a Palavra é interpretativa e o que é angariar fundos para as obras sociais da igreja… (risos). Para alguns teólogos, prosperidade é a medida das bênçãos de Deus, segundo sua vontade. Não significa que é “ser rico”, mas gozar de saúde, sabedoria, segurança, paz, alegria, etc. Podemos dizer que ser próspero é ser bem aventurado.

Desde a antiguidade alguns personagens bíblicos já desfrutavam de alguns benefícios de Deus, poderíamos falar nos patriarcas que tinham rebanhos e terras, em Jó cujas riquezas eram extensas, Davi, Salomão, entre outros. Paulo aos efésios diz que Deus nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo Jesus (Ef. 1.3).

É possível que as finanças sejam discutidas dentro de uma perspectiva cristã, embora emblemático, o homem não consegue “viver” sem dinheiro, afinal ele irá prover seu sustento e de sua família. Acredito que Deus quer o melhor para nós, mas a forma como alguns se apoderam das riquezas gera muita confusão e escândalo.
Se olharmos esse tema com ética e coerência cristã, vamos saber que o mundo jaz do maligno e seu governo é operante pelo erro. As instituições econômicas e financeiras estão atuando diretamente no comportamento do homem, fazer uso correto do dinheiro vai trazer benefícios para todos, lembrando que somos estrangeiros nessa terra, nossa busca deve ser pela Jerusalém Celestial. Mas enquanto estivermos aqui, cuidemos de trabalhar e cuidar dos bens que Deus nos deu.

A igreja como instituição tem algumas necessidades, como contas de água, luz, telefone, manutenção, despesas com necessitados, amparo a viúva e órfão, missões, verbas de departamento (infantil e jovem), entre outros. Além do custeio para o pastor que sendo integral, depende da ajuda (salário) da igreja para manter suas despesas pessoais e familiares.

A prosperidade cristã genuína, com seus princípios deve nortear as ações comunitárias. Segundo a Concordância Strong, a palavra grega “euodoo” (próspero) pode ser entendida como:

• Ter uma viagem rápida e bem sucedida, conduzir por um caminho fácil e direto;
• Garantir um bom resultado, fazer prosperar;
• Prosperar, ser bem sucedido.

Embora seja algo que todos queiram, a prosperidade pode esconder alguns entraves que em vez de abençoar trará maldição, ou seja, algumas pessoas querem ganhar dinheiro e até oram quando assim estiverem, serão auxiliadoras em ações missionárias, em auxílio em ações sociais, mas é só ter um emprego bom que esquecem a igreja ou usam seu salário para se endividar.

Outros usam seu dinheiro para ganhar prestígio e fama, e enlouquecidos na ganância caem em tentação. (TIM. 6.9,10), não estou dizendo que para isso não iremos buscar o melhor para nossas vidas, mas faça isso sem a arrogância de tornar-se rico. Em busca disso há quem tenha perdido a dignidade e a honra.

Devemos ter a “ambição” por emprego melhor que garanta a nossos familiares um conforto, mas o problema é quando essa ambição torna-se vício e atrás do dinheiro pisamos nas pessoas e afastamos amigos.

O crescimento econômico tem dado amostras claras que é possível ter uma casa própria, um carro, fazer viagens, mas não se envereda por caminhos da cobiça e inveja, nem sempre ter riquezas significa ser feliz.
Alguns ícones da instituição evangélica proclamam seus súditos a ofertarem e dizimarem, sem terem nada, dizem para vender suas posses e dar a igreja. Nisso vemos templos suntuosos e pastores em helicópteros e aviões particulares. Muitos membros tristes e passando fome e seus líderes afortunados em suas mansões.

Infelizmente muitas pessoas, cegas e inocentes, não aceitam qualquer acusação contra os “ungidos do Senhor” e nisso vão doando seus salários a pessoas de má fé. Cuidado, saiba onde o seu dinheiro esta sendo “investido”, afinal cabe a cada membro saber o que o tesoureiro faz com as finanças da igreja, poucas são as denominações que abrem seus arquivos e balancetes financeiros para que os membros tenham acesso.

Nessa fúria desenfreada para saber quem pode mais, eles agora em nome da evangelização total do Brasil, buscam arrecadar um bom valor para adquirir seus aviões particulares.

Segundo matéria do Jornal Folha Acadêmica (ES), Edir Macedo arrecada parte de sua receita anual de R$ 1,4 bilhão em dinheiro vivo, junto a oito milhões de fiéis que freqüentam os seus 4.500 templos, nisso a Universal do Reino de Deus, tem um belo sistema aéreo para transportar o dinheiro país afora, segundo denúncia do Ministério Público Estadual. A empresa Alliance Jet seria o braço aéreo do esquema da Universal, além disso, Edir tem um Global Express para viagens internacionais. Com um custo de US$ 45 milhões, produzido pela Bombardier.

O missionário R.R. Soares não fica atrás, o pastor e fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, segundo a Revista Veja, comprou um King Air 350, um turboélice com capacidade para transportar oito passageiros e com banheiro a bordo. Foram gastos 5 milhões de dólares.

Rene Terra Nova, patriarca e difusor do G12 no Brasil, têm um Falcon 010, para ele adquirir um avião é o cumprimento da profecia de grandes homens de Deus.

Samuel Câmara ligado a Assembléia de Deus, também entrou a onda, ou melhor, nas nuvens, possui um King Air.

Estevam Hernandes que é acusado pelo Ministério Público de desvio de verbas entre outros, já preso nos EUA por não declarar dólares, comprou seu jatinho com custo de R$ 6 milhões, a lista se estende para o Apóstolo Valdemiro Santiago e Pr. Silas Malafaia. Este último que por anos foi um ativo batedor nas heresias e promessas sem fins lucrativos da turma da prosperidade, chega a dizer que o crente que não quer ser próspero e não barganha com Deus chega a ser idiota. Seu avião vale 16 milhões de dólares, mas ele ridicularizou dizendo que foi uma “galinha morta”, pois pagou somente 12 milhões.

Além de aviões, carro zeros, mansões, fazendas e outros bens em nome de laranjas e que é de conhecimento do Ministério Público, é perceptível que falar e vender os sonhos de um futuro melhor nessa terra é uma prática comum entre estes e outros pastores. Infelizmente Dr. Morris Cerrulo que tive o prazer de ouvir uma vez quando esteve no Brasil, também se bandeou para esse lado, oferecendo prosperidade aqueles que voluntariamente ofertarem R$ 900,00 para quem comprar a bíblia de estudo.

CONCLUSÃO

Não estou fazendo apologia à pobreza, cada pessoa tem direito a uma vida melhor, a ter casa, carro, comida, saúde, entre outros, mas adquirir qualquer bem com o suor do trabalho é bem visto, mas enganar e iludir as pessoas, inclusive as mais pobres, deveria ser caso de prisão.

Oferte e dizime segundo suas posses e aquilo que Deus colocou em seu coração, de preferência a sua igreja local, que em muitos casos, não tem um sistema de som adequado, bancos para comportar seus membros, os banheiros são de uso comum, seus pastores precisam trabalhar e correr para ministrar em cultos que em muitos casos, não tem quase ninguém. Mas mesmo assim continuam firmes, acreditando que Deus proverá todas as coisas.

Não caía no conto do vigário que agora colocou a veste de “apóstolo” e que engana a viúva e o órfão, trás peso de maldição aqueles que não ofertam, e manipulam a fé com milagres só para impressionar seus fiéis.

Pense nas palavras da jornalista que diz que a crise começou com ajuda de pessoas simples e pobres, em busca da Terra Prometida aqui na terra, se enfiou em dívidas e depois com a crise a pique, teve que sair de suas casas, escorraçadas e mais miseráveis do que estavam, e viam seus líderes em carros de luxo e aviões, dizendo que se isso aconteceu é porque essas pessoas estavam em pecado.

Deus que o melhor para nós, mas lembre que o Sol nasce para todos, assim como a chuva também é para ricos e pobres. Se você quer prosperar, não confie nas falsas promessas da religião, mas estude e trabalhe, pode ser que um dia você tenha um lugar ao sol, mas não esqueça que onde estiver seu tesouro ali estará seu coração. Se você quer enricar nessa vida, talvez você até consiga, mas a traça um dia poderá roer tudo, mas guarde tesouros celestiais, porque chegará o dia que Ele virá, para buscar pessoas de todas as classes sociais, raças, tribos, nações, etnias, que aceitaram seu sacrifício na cruz, por entender que a promessa não é para este mundo, mas Ele foi preparar um lugar e um dia retornará para levar sua igreja Santa e Imaculada, que não curvou-se as maquinações de erro e engano proferidas por homens que não focalizam as pessoas, mas os seus bolsos.